O primeiro-ministro Shinzo Abe e dois integrantes do alto escalão do governo japonês - o chefe de gabinete Yasuhisa Shiozaki e o ministro da Saúde, Hakuo Yanagisawa -, vão renunciar parte do bônus de verão a qual têm direito, como membros do Parlamento, em solidariedade aos cidadãos prejudicados pelo escândalo da Previdência Social do país.
A atitude, anunciada a poucas semanas das próximas eleições para a Câmara Alta (Senado), soa como uma clara tentativa do Partido Liberal Democrático (legenda de Shinzo Abe) em apaziguar os ânimos dos eleitores, que vêm aumentando a rejeição ao governo comandado pelo premiê.
De acordo com Shiozaki, o primeiro-ministro recusará o recebimento de ¥ 2,34 milhões (cerca de R$ 38 mil), que é parte do bônus que ele tem direito, calculado em mais de ¥ 5 milhões. Ainda sobrarão em sua conta bancária, portanto, cerca de ¥ 3 milhões (R$ 47,5 mil). Antes, Abe tinha dito que devolveria ¥ 1,6 milhão (R$ 25,3 mil), mas a queda brusca no nível de popularidade do governo deve ter feito o ministro repensar - e aumentar - a oferta.
Shiozaki, por sua vez, devolverá ¥ 940 mil, enquanto o ministro Yanagisawa deixará de receber ¥ 896 mil. Ambos, contudo, ainda aceitarão o bônus que têm direito a receber como legisladores.
O escândalo envolvendo cerca de 50 milhões de pensionistas no país, que por um erro da Agência de Seguro Social podem ficar sem receber os benefícios que lhes são de direito, coloca o primeiro-ministro em situação difícil no cenário político.
"As pessoas estão realmente irritadas com a situação das pensões. Diante disso, achei que era preciso tomar a responsalibidade", disse Abe aos jornalistas.
O chefe da Agência de Seguro Social, Kiyose Murase, também devolverá seu bônus de verão de ¥ 2,7 milhões aos cofres públicos, integralmente. Agora, ele tenta estimular os funcionários da agência a abandonarem metade do benefício que irão receber em nome dos pensionistas prejudicados.