O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, diminuiu ontem (10) seu discurso conservador e nacionalista na abertura da sessão extraordinária do Parlamento japonês, após pouco mais de um mês da forte derrota de seu partido nas eleições ao Senado.
Segundo a agência japonesa "Kyodo", durante um discurso mais leve que o de outras ocasiões, Abe disse ser "plenamente consciente" de que alguns acreditam que ele deveria renunciar em função do descontentamento popular com seu Governo.
No entanto, o primeiro-ministro expressou convicção em suas políticas ao afirmar que o Japão deve deixar para trás o regime do pós-guerra "a todo custo".
Ao contrário de outras ocasiões, Abe destacou a prioridade de enfrentar os assuntos que propiciaram a derrota de seu partido, o PLD, nas eleições ao Senado: as disparidades sociais e regionais e a previdência pública.
O primeiro-ministro japonês orientou sua legislatura a modificar a Constituição pacifista criada pelas forças de ocupação após a Segunda Guerra Mundial.
Diversos casos de corrupção que atingiram seus ministros e a perda do registro de contribuições à Seguridade Social de 50 milhões de contribuintes arrastaram sua popularidade até os níveis mais baixos.
Durante seu discurso, Abe mostrou sua determinação de continuar apoiando os EUA em sua guerra contra o terrorismo, e afirmou que a retirada dos navios japoneses que fornecem trabalhos de apoio e no Oceano Índico seria um abandono da "responsabilidade internacional" do Japão.
A revisão da Constituição japonesa, que até agora foi de prioridade máxima para Abe, foi mencionada durante seu discurso apenas uma vez e ele só se referiu ao tema para mostrar sua esperança de que aconteçam futuros debates sobre o assunto no futuro.
Quanto à recente modificação de seu Governo após a derrota eleitoral do fim de julho, o primeiro-ministro usou a expressão "recomeçar".
Segundo a "Kyodo", essa fórmula pode ser interpretada como um reconhecimento do fracasso de suas políticas desde que assumiu o cargo.