Japão


Publicado em  12/01/2008 22:04

Aumenta a desigualdade social no Japão

O Japão, antes um dos países industrializados mais igualitários do mundo, está perdendo terreno

Kanto , Tokyo - Efe


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O abismo que se abre é cada vez mais perceptível nas ruas

As reformas econômicas e a redução dos tradicionais contratos vitalícios estão criando uma fissura na sociedade japonesa, com os assalariados vendo a sua segurança ameaçada enquanto prolifera uma exclusiva elite de novos ricos.

Enquanto a família média se mostra mais reticente a gastar, o mercado de luxo vive um "boom" semelhante ao do fim dos anos 80, pouco antes da explosão da bolha econômica.

O Japão, antes um dos países industrializados mais igualitários do mundo, está perdendo terreno. O seu índice Gini, termômetro da disparidade social, em que o 0 equivale à igualdade absoluta e o 1 à desigualdade total, aumentou de 0,249 para 0,314 entre 1993 e 2002, segundo os dados das Nações Unidas e da CIA.

As estatísticas do Governo japonês mostram que o consumo doméstico há meses vem se enfraquecendo, com crescimentos anualizados tímidos. O indicador chegou a registrar quedas, como a de novembro. Assim, o Japão não consegue afastar completamente a sombra da deflação.

A taxa de poupança dos japoneses, conhecida por ser uma das mais altas do mundo, vem caindo. Em 2006, o último ano do qual o Executivo tem dados, o índice alcançou seu mínimo histórico: 3,2% da renda disponível, dois terços a menos que em 1997.

Do outro lado estão as deslumbrantes avenidas de Ginza, o distrito do luxo em Tokyo. Grandes marcas mundiais, como Armani, Bulgari e Gucci, aproveitaram 2007 para inaugurar suas novas lojas na região.

No verão, quando foi inaugurado o novo edifício de dez andares de Giorgio Armani, havia fila na porta várias horas antes da abertura.

O centro conta com lojas da marca italiana e até um "spa". Marcas como Louis Vuitton, Bulgari, Gucci, Burberry e Hermès, todas presentes em Ginza, obtêm pelo menos um quarto de seus lucros no Japão, o maior mercado de luxo do mundo, segundo a Organização de Comércio Exterior do Japão.

Os mais prestigiosos hotéis de Tokyo continuam acrescentando à sua lista de serviços as mais originais e caras excentricidades. O Ritz-Carlton oferece um coquetel de Martini com um diamante, ao preço de ¥ 1,8 milhão (US$ 16.365). A suíte natalina do Mandarin Oriental custava ¥ 14 milhões (US$ 127.270 dólares) a noite, incluindo um pinheiro carregado de jóias.

A origem desta crescente polarização social se encontra na liberalização econômica dos anos 90, a "década perdida" japonesa.

A partir de então, graças à nova regulação, muitas empresas optaram pelos contratos temporários para as novas contratações. Era o fim dos tradicionais acordos trabalhistas vitalícios, que estabeleciam uma estreita relação entre as companhias e seus trabalhadores assalariados.

Antes, as empresas japonesas garantiam aos empregados a continuidade na companhia durante toda sua vida profissional, evitando cortes na força de trabalho apesar de recessões e dificuldades. Além disso, os trabalhadores contavam com suculentas aposentadorias, em troca de intermináveis jornadas de trabalho e lealdade absoluta.

Mas a relação quase paternal vem se diluindo nos últimos tempos.

Os contratos temporários, que há duas décadas não chegavam a 20% do total, hoje superam os 30%. Já os permanentes caíram de 80% para 65%, segundo o Ministério de Assuntos Internos.

Ao mesmo tempo, o número de ricos não pára de crescer. Em 2006, no Japão havia 1,5 milhão de pessoas com mais de US$ 1 milhão, quase 16% dos milionários de todo o mundo.

O setor automobilístico é um dos melhores espelhos da crescente divisão na sociedade japonesa. As vendas em 2007 registraram seu pior desemepenho nos últimos 35 anos. Mas algumas marcas de luxo estrangeiras, como Porsche e Ferrari, venderam até 15% a mais que no ano anterior, segundo a Associação de Importadores de Automóveis do Japão.


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