As crises econômicas que afetam de forma recorrente a América Latina estão menos ligadas ao valor da dívida que a certos elementos estruturais "perigosos", segundo um relatório apresentado no dia 15 no Japão pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O estudo, apresentado a centenas de economistas e empresários japoneses interessados na América Latina, indica que grande parte da dívida da América Latina oferece riscos por serem feitas em moeda estrangeira, ter prazos curtos de pagamento e depender das taxas de juros.
Por isso, as principais economias latino-americanas deveriam reduzir o risco de uma nova crise implementando medidas de caráter interno, principalmente nas áreas fiscal e orçamentária, e trabalhando neste mesmo sentido internacionalmente.
A tese central do último relatório do Instituto de Políticas Econômicas e Sociais do BID foi apresentada pelo chefe da unidade de Dívida e Análise Financeira da Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), o economista Ugo Panizza.
Apesar de ter níveis médios da dívida por volta de 40% do PIB, abaixo dos países avançados (60%), a América Latina sofreu crises monetárias e financeiras constantes por priorizar a composição "de risco" da dívida sobre o valor, que chega a 85% no caso latino-americano, segundo o relatório.
Segundo Panizza, estes fatores podem distorcer de maneira "dramática" a dívida de um país, por estar submetida às alterações de fatores que não dependem do próprio país que emite a dívida, como ocorreu na crise da Argentina, quando a desvalorização do peso multiplicou a dívida "da noite para o dia".
Ao contrário, as outras economias emergentes mantêm a dívida "perigosa" em torno de 50%, uma base muito mais estável que a da América Latina.
Uma das primeiras medidas propostas por Panizza para acabar com este problema é estimular os investidores nacionais a comprarem a dívida de cada país, embora também alerte para os problemas causados caso os bancos do país assumam a maioria destes bônus.
Panizza destacou que o momento atual é o ideal para tentar reestruturar a dívida externa da América Latina, porque agora os países estão atravessando um período geral de tranqüilidade econômica.