O líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, expressou nesta segunda-feira em Tóquio sua tristeza pela onda de imolações de monges budistas neste ano e criticou a política de 'genocídio cultural' que a 'linha dura' do Governo chinês promove no Tibete.
Em entrevista coletiva em Tóquio, o Dalai Lama ressaltou que os tibetanos estão 'totalmente comprometidos' com o princípio da não violência e lembrou que o Tibete não busca a independência, mas a concessão de uma 'autonomia significativa'.
O líder considerou, no entanto, que na região está ocorrendo um 'genocídio cultural' e isso se refletiu em 'incidentes lamentáveis', como as imolações de 11 monges neste ano, dos quais seis morreram.
A última ocorreu na semana passada, quando uma freira morreu na província chinesa de Sichuan após atear fogo ao próprio corpo em homenagem ao Dalai Lama e pela libertação do Tibete.
O líder criticou a 'monstruosa hipocrisia' da 'propaganda comunista' chinesa que, em sua opinião, é 'imoral e distorce a realidade'.
'A fonte de todos os problemas é a ignorância, os chineses têm direito a conhecer a verdade' para poderem julgar, acrescentou, após pedir aos jornalistas que 'não permaneçam indiferentes' e promovam os valores humanos em seu trabalho de 'educar as pessoas'.
'Alguns membros da linha dura do Governo chinês me veem como um demônio. É um absurdo. Ninguém acredita no que eles dizem', afirmou.
O Dalai Lama chegou em 29 de outubro ao Japão para dar palestras aos jovens da Universidade de Koyasan e reunir-se com alguns membros do Governo japonês.
Neste fim de semana, o líder visitou regiões do nordeste do país arrasadas pelo tsunami de março, incluindo a província de Fukushima, e se mostrou 'impressionado pelo nível de cooperação da população'.
Neste sentido, o Dalai Lama mostrou sua satisfação ao comprovar que os moradores não esperaram 'a ajuda do Governo, mas começaram a se ajudar uns aos outros', o que reflete a confiança do país 'em si mesmo'.
Sorridente e relaxado, o líder se referiu ainda ao debate após o acidente na central atômica de Fukushima, o pior em 25 anos, e afirmou que na energia nuclear, 'da mesma forma que na própria vida', não existe segurança absoluta. 'Mesmo que fosse 99% segura, sempre haveria 1% de risco', acrescentou.