Quem já trabalhou como operário em frigoríficos ou peixarias no Japão sabe que existem luvas de aço destinadas para quem trabalha no corte de congelados. Trata-se de uma parte do uniforme importante para aqueles que não querem ver suas mãos cortadas ao final do expediente. As luvas não resistem muito tempo às serras, mas é o tempo suficiente para que um toque acidental não termine em tragédia. Seguindo esse mesmo princípio, uma empresa japonesa desenvolveu uma camiseta "quase" à prova de facadas.
A palavra "quase" foi usada porque o tecido não é totalmente imune a um ataque frontal de uma faca, tampouco a golpes com materiais pontiagudos e perfurantes. Ela previne apenas aqueles cortes em que se desliza a lâmina sobre a superfície.
A Nihon Uni desenvolveu o produto "para proporcionar proteção contra agressores que utilizam facas", arma preferida de boa parte dos criminosos no Japão. É difícil, no entanto, acreditar que um agressor contenha o ímpeto de perfurar uma vítima com uma faca, o que tornaria a invenção inútil nesses casos. Mas ela pode ter alguma aplicação em indústrias ou locais em que exista certo risco de cortes acidentais, como na construção civil.
O tecido foi denominado pela empresa como "fibra de polietileno de peso molecular ultra-elevado". O material foi desenvolvido a partir do Kevlar, o mesmo que é utilizado em coletes à prova de bala e no revestimento de ônibus espaciais. A empresa teve a idéia de reduzir a densidade e a espessura do material a ponto de se tornar uma fibra de polietileno tão flexível que posibilite ser usada como uma roupa comum. A resistência do tecido é três vezes superior a uma camiseta de algodão, mas sua leveza permite que as camisetas com esse material sejam lavadas na máquina normalmente. As camisetas devem ser vendidas no Japão a partir de junho por preços que variam de ¥ 22 mil a ¥ 59 mil para as versões de manga longa e de ¥ 19 mil a ¥ 52 mil para os modelos de manga curta.