Uma pesquisa realizada pelo jornal Mainichi revelou que em 80% dos 866 locais que empregam estrangeiros sob o "Programa de Aprendizado para Estagiários Estrangeiros", existem irregularidades como falta de pagamento justo e trabalho forçado. Existem atualmente 160 mil estrangeiros sob os sistema de estágio promovido pelo governo japonês. O Mainichi, no entanto, denunciou que muitos se aproveitam da "mão-de-obra mais barata".
O Projeto de Aprendizado visa treinar e capacitar estrangeiros para que apliquem os conhecimentos em seus países, mas na realidade a maioria dos estagiários são colocados para trabalhar nas mesmas condições de um empregado comum.
As infrações mais comuns estavam relacionadas à saúde e higiene, com 1.516 casos. Nesses, os estagiários eram obrigados a cumprir uma jornada de trabalho superior a 40 horas semanais, enquanto outros não pagavam acréscimos pelas horas extras ou período noturno.
Em Tottori, o Sindicato dos Trabalhadores denunciou duas fábricas de costura que remuneravam 12 estagiários por menos de ¥ 476 a hora (o mínimo permitido é de ¥ 610). Outro diretor de uma fábrica de camas em Hiroshima foi indiciado por não pagar as horas extras a seis chineses.
Em Saitama, uma fábrica de alimentos e outra do setor de construção foram alertadas a pagar horas extras a estagiários. Os sindicatos de trabalhadores realizaram mais de 10 mil queixas nas delegacias por abuso de mão-de-obra estrangeira em 2005.