O Governo japonês anunciou no dia 22 a sua intenção de atuar como mediador entre os países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) para desbloquear as negociações da Rodada de Doha.
"Tenho que admitir que a situação está difícil, mas isso não significa que abandonaremos as negociações", disse o ministro de Comércio japonês, Akira Amari, após o fracasso da reunião entre Brasil, Índia, Estados Unidos e União Européia, segundo informou a agência "Kyodo".
O desencontro entre as posições dos países em desenvolvimento e os desenvolvidos tornou ainda mais difícil a conclusão da Rodada de Doha este ano.
Numa tentativa de aproximar posições, Amari anunciou que o Japão pretende acolher uma reunião dos países em desenvolvimento na área do Pacífico, antes do encontro de ministros do Fórum Econômico Ásia-Pacífico (Apec), marcado para Cairns, na Austrália, nos dias 5 e 6 de julho.
"Ninguém está construindo pontes entre as diferentes visões dos países industrializados e dos que estão em vias de desenvolvimento.
Portanto, acho que o Japão deveria desempenhar esse papel", disse Amari.
O ministro japonês opinou que a ausência do Japão foi uma das causas do fracasso na reunião entre EUA, UE, Brasil e Índia.
Taro Aso, ministro de Relações Exteriores do Japão, reconheceu que as negociações na OMC "levarão um tempo considerável". Mas lembrou que as conversas continuam, já que os 150 membros da organização pretendem realizar uma reunião de ministros em julho.
Desde seu lançamento em 2001, a Rodada de Doha estourou os prazos em várias ocasiões, devido ao fracasso dos negociadores na hora de encontrar um ponto de acordo em diferentes assuntos, especialmente na área da agricultura.