A legislação trablahista brasileira preocupa os empresários, principalmente quando se pensa em grandes investimentos no Brasil, usando a mão-de-obra local. Apesar da importância que assumiu no panorama geopolítico mundial, o Brasil ainda está muito distante para muitos empresários.
Pesquisa feita com 354 empresas japonesas mostra que, para a maioria, a China é o território a ser explorado. Países do sudeste asiático como Tailândia e Indonésia também ocupam posições melhores que a do Brasil, que tem somente 0,8% de interessados.
Para o ex-presidente da Honda do Brasil, Ossamu Iida, o país é a melhor opção para os investidores japoneses. “Eu estou sempre dizendo para os japoneses que vão para o Brasil investir, e para explorar o mercado lá. Mas, ainda lamento que essa consciência não está popularizada, divulgada”, afirma.
Iida é um apaixonado pelo país. E, mais uma vez, ele provou isso durante palestra realizada pela Fujiarte, empresa de recursos humanos que mantém um projeto de recrutamento e treinamento de pessoas para empresas japonesas que pretendem investir em território brasileiro.
“A chave de sucesso de qualquer empreendimento é uma pessoa. Então, pensando na importância do pessoal, eu acho que nós, japoneses temos muitas vantagens no Brasil. Lá podemos contar com uma colônia bem grande de ascendência japonesa e também gostaria de enfatizar esse é um ativo muito positivo para os empresários japoneses”, explica.
Desemprego de 4% que poderá chegar ao final de 2012 em 3,5% e uma previsão de crescimento de 4% para este ano despertam a atenção do empresariado para a sexta maior economia mundial.
Na opinião dos empresários, os números são positivos, mas a legislação trabalhista pesa contra. Para o advogado Masato Ninomiya, deveria haver maior flexibilização. Até mesmo para evitar a extinção das empresas e o aumento do desemprego.
“Os japoneses estão acostumados com outro tipo de raciocínio. Prioridade, por exemplo, para autonomia de vontade das partes, ou seja, o que as partes combinarem está bem feito. Estados Unidos também. No Brasil, não adianta o trabalhador concordar se não estiver de acordo com a lei. E a lei trabalhista é muito rígida”, relata Ninomiya, presidente do Centro de Informação ao Trabalhador no Exterior (Ciate).
Ninomiya conta que em 2010 e 2011, recebeu mais consultas de japoneses do que nos últimos dez anos. E sempre a questão trabalhista esteve na pauta. “E apesar de alguns problemas que o governo vem enfrentando em termos de cãmbio, eu acredito que o japonês continua interessado sim no Brasil”, constata. Com pequenos ajustes, também em sua legislação, ele acredita que o Brasil poderá se tornar mais atraente.