Japão


Publicado em  26/06/2007 18:52

Mercado de trabalho é a chave da imigração

Imigrantes são mais atraídos por mercado de trabalho que por regularizações, afirma estudo

- Efe

PARIS - As oportunidades no mercado de trabalho são a maior causa do "efeito chamada" para atrair estrangeiros a um país, e não as regularizações de imigrantes ilegais promovidas por uma nação, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"O "efeito chamada" é o mercado de trabalho", disse hoje o autor do relatório anual da organização sobre imigração, Jean-Pierre Garson, que minimizou o fato de uma parte dos estrangeiros que moram nos países-membros da OCDE ser de imigrantes ilegais.

Em entrevista coletiva, Garson apresentou o relatório Perspectivas de Migrações Internacionais 2007 e lembrou que "a história da imigração é, em grande parte, uma história de clandestinidade" e que o estatuto do imigrante ilegal costuma ser um fenômeno temporário.

O responsável da organização acrescentou que os fatos desmentem os temores de alguns países europeus sobre a chegada em massa de imigrantes a partir de outros Estados da União Européia (UE) que realizaram ações de regularização ou que têm uma lei menos rígida no controle de entrada.

Garson, que é o responsável pela divisão de migrações internacionais da OCDE, atrelou a entrada de estrangeiros à oferta de emprego.

Além disso, quando ocorrem regularizações excepcionais sucessivas em um país, o motivo geralmente reside no fato de os procedimentos anteriores "não terem sido bem feitos".

Segundo as projeções do relatório elaborado a partir de estimativas semi-oficiais, os imigrantes ilegais representam cerca de 1% da população na Europa, apesar de este número ser maior nos países do sul do continente, e mais alto ainda nos Estados Unidos, onde as pessoas nesta condição representam 4%.

O fluxo de imigrantes que entraram nos 30 países da OCDE em 2005 - o último ano do qual existem dados completos - aumentou 10%, e o número global ficou entre 3,5 milhões e 4 milhões de pessoas.

O secretário-geral da OCDE, o mexicano José Ángel Gurría, afirmou que "o fenômeno está crescendo" e vinculou o fato ao aumento da demanda no mercado de trabalho.

Neste sentido, Gurría disse que cresce o peso da imigração trabalhista, que representa cerca de 30% do volume total da imigração.

O país que recebeu mais imigrantes em 2005 foram os Estados Unidos (1.122.400), com um crescimento de 17% frente a 2004, seguido da Espanha (682.700), com uma alta de 6%.

Em seguida, mas bem atrás, estão o Reino Unido (362.400, um aumento de 18%), a Coréia do Sul (266.300, alta de 41%), o Canadá (262.200, crescimento de 11%) e a Alemanha (198.600, com queda de 6%).

Gurría afirmou que, nos países de destino, os imigrantes ocupam cargos que requerem uma qualificação muito menor que a que possuem e que esta tendência "é particularmente maior" no caso das mulheres.

O mexicano insistiu ainda na contribuição em termos financeiros que os imigrantes oferecem a países envelhecidos.

Em geral, são pessoas mais jovens e mais ativas no trabalho que o resto da população e que contribuem com suas cotas para manter a Previdência Social. Além disso, pelo menos no início, estes indivíduos não representam encargos sociais.

"A imigração é uma das soluções", afirmou Gurría, que acredita que a chegada de trabalhadores jovens que ajudem a financiar o sistema de previdência social "dá tempo para a negociação" sobre as formas de garantir sua sustentabilidade a longo prazo.

De acordo com as projeções da OCDE, a maioria dos países-membros da organização perderia população ativa entre 2005 e 2020 caso não houvesse contribuição de imigrantes, principalmente Japão, República Tcheca, Itália, Finlândia, Espanha e Alemanha, onde as quedas seriam maiores que 5% neste período.


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