Japão


Publicado em  07/08/2010 9:48

Novas tecnologias mantem viva a lembrança da tragédia

Museu virtual e novos depoimentos das vítimas traduzidos para diversas línguas ajudam a humanidade a não se esquecer da tragédia

Japão , Hiroshima - Efe

Os últimos sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki são hoje idosos que resistem a ideia de que suas lembranças morram com eles. Para que a tragédia não caia no esqueicmento eles tem a ajuda da tecnologia.

No Japão ainda restam 235 mil hibakusha (sobreviventes da bomba nuclear em Hiroshima e Nagasaki), com uma média de idade de 75 anos. Muitos sofrem de doenças relacionadas às radiações recebidas por causa da explosão nuclear.

Boa parte deles ainda luta para que o massacre não seja esquecido. Para tal, particpam de conferências, entrevistas e excursões pelo mundo a fim de divulgar, como símbolos vivos da tragédia, sua mensagem contra as armas nucleares.

Mas o número de hibakusha vem diminuindo e com eles se extinguem os relatos sobre o que ocorreu em 6 de agosto em Hiroshima e em 9 de agosto em Nagasaki, quando duas bombas atômicas arrasaram as cidades e acabaram com a vida de dezenas de milhares de pessoas.

No final de 1945, 140 mil pessoas morreram em Hiroshima e 74 mil em Nagasaki nesses ataques, embora as vítimas das radiações nos anos posteriores foram mais numerosas.

"Vi uma chama de intensa luz púrpura e branca, as janelas explodiram e o teto veio abaixo. Os gritos dos feridos ecoavam por todas as partes", conta Naoyuki Okuma, um trabalhador de Mitsubishi Electric que tinha 19 anos de idade quando a bomba caiu em Nagasaki.

"Como meus ferimentos eram menores do que os dos outros, me pediram para que levasse os feridos. Haviam pessoas atingidas por estilhaços de vidros, com braços e pernas quebrados, gente com a pele em carne viva", lembra Okuma.

Seu relato está guardado no chamado Nagasaki Archive, uma iniciativa digital que conta com a ajuda do Google Maps. Trata-se de um mapa em 3D da cidade com fotos dos sobreviventes nos locais onde estavam no momento do ataque associados a depoimentos.

O site (http://en_nagasaki.mapping.jp/p/nagasaki-archive.html), que entrou no ar há menos de um mês, pretende "guardar a trágica experiência do passado e transformá-la em dados acessíveis às futuras gerações", afirmam os responsáveis pelo projeto, que teve o apoio da Universidade Metropolitana de Tokyo.

"A atenção da imprensa e dos educadores e a oportunidade de tratar o tema da bomba atômica está diminuindo gradualmente, e a memória começa a desaparecer", advertem.

Pelo tag (#nagasaki0809) do microblogging Twitter é possível que qualquer internauta envie uma mensagem aos sobreviventes, as respostas aparecem sobrepostas no mapa.

Os sites dedicados aos hibakusha se multiplicaram nos últimos anos no Japão, onde durante décadas as vítimas de Hiroshima e Nagasaki eram discriminadas, já que havia o preconceito de que os efeitos da radiação poderiam ser contagiosos.

Entre os locais que utilizam a internet para divulgar mensagens está o Memorial da Paz de Hiroshima, muito perto do local onde caiu a primeira bomba atômica da história.

Como número de visitas no local vinha caindo, a direção do Memorial decidiu criar, em 2000, um museu virtual para que o local pudesse ser visitado de qualquer parte do mundo (www.pcf.city.hiroshima.jp/index_e2.html).

Os responsáveis pelo museu recolheram nas últimas décadas cerca de 130 mil relatos dos sobreviventes, os quais digitalizaram grande parte.

Traduzidas até agora para inglês, chinês e coreano, nesta semana o museu anunciou a próxima versão de vários testemunhos em outros sete idiomas.

O objetivo é manter viva a lembrança da tragédia para as gerações futuras. Porque, como assegura o lema do Museu de Hiroshima: "Se ninguém fala, nada muda".


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COMENTÁRIOS
us3000 (Segunda-Feira, 9 de Agosto de 2010, 3:18:31) x 125
"sen" - A covardia não muda se a agressão vitima civis ou militares.
Quando esses "aliens" atacaram covardemente a frota americana deveriam
saber que haveria consequencias. E guerra eh guerra. Atacaram a nação Americana sem declarar guerra, FDP's. Acho que os EUA foi muito benevolentes... Eu teria destruído todo o arquipélago se visse mortos dezenas de jovens militares e parte da frota naval e aérea destruída como soh os maricas e terroristas ousam fazer sem dar chance de defesa. Infelizmente sempre foi assim... conflito entre duas nacoes todos são inimigos de todos... ainda que os EUA tentem sempre poupar a vida de civis, mesmo esses sejam bestas feras na defesa da agressão de sua nação. Viva o Império da lei e nossos amigos. Fogo nos terroristas e totalitários covardes. Viva USA!!!
panflenet@hotmail.com (Domingo, 8 de Agosto de 2010, 20:30:31) x 958
sem comentario..................
a humanidade sera que apreundeu ???
sen (Domingo, 8 de Agosto de 2010, 11:48:38) x 189
A "resposta nuclear" a que vc se refere foi um ataque covarde contra duas cidades onde NÃO havia acúmulo considerável de tropas nem de apoio à indústria bélica. Hiroshima havia sido menos bombardeada em relação as outras cidades, o que possibilitaria os EUA ter uma dimensão exata do efeito da bomba. Outra dado é que o ataque foi uma forma de alertar ao Mao e à Stalin que o Império possuía uma nova arma. P.Harbour foi uma convardia contra tropas inimigas. Hiroshima e Nagasaki foi uma convardia contra civis. O que vc chama de vigilante da ordem mundial é na verdade verdugo de culturas e religiões diferentes. É a Inquisição disfarçada de democracia. Onde vc vive, o presidente é eleito por um colégio eleitoral manipulado. Conta aí a história da eleição do Bush. Vai dizer que não sabe?
us3000 (Domingo, 8 de Agosto de 2010, 2:54:02) x 125
Depois do covarde ataque dos "japas" aos EUA não havia outra forma de dissuadir. A resposta nuclear colocou fim a Guerra que poderia ter vitimado milhares. Os orientais, humilhados, capitularam e hoje são “amiguinhos”. Que sirva de lição prós que simpatizam sistemas anti-democráticos. Os primatas, totalitários ou terroristas não entendem outra linguagem que não seja forca da lei. Os EUA são o Iimpério vigilante e justo da Ordem mundial.
Pantaleão (Sábado, 7 de Agosto de 2010, 20:51:33) x 157
Nossa esse papo já cansou!... Ai vamos enterrar os mortos e viver o presente, a energia nuclear é uma necessidade real para o mundo moderno sem ela hoje praticamente não vivemos. O que não pode é kutukar o kão kon vara curta que ai o bixo pega...

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