Japão


Publicado em  31/07/2007 1:14

Primeiro-ministro do Japão sai enfraquecido de eleições

Pela primeira vez em meio século, eleições para renovar Senado concederam vitória à oposição

Kanto , Tokyo - Efe

Reuters
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O primeiro-ministro Shinzo Abe durante a contagem dos votos no escritório do PLD em Tokyo

A derrota histórica nas urnas sofrida neste domingo pelo primeiro-ministro Shinzo Abe pode indicar o fim de seu curto e conturbado Governo no Japão.

Pela primeira vez em meio século, as eleições para renovar a metade do Senado (121 cadeiras) concederam o maior número de cadeiras à oposição, com o Partido Democrático (PD) e deram uma dura punição à coalizão governista liderada pelo Partido Liberal Democrático (PLD) de Abe, segundo os cálculos da imprensa japonesa.

O próprio primeiro-ministro chamou o resultado de "revés humilhante" e assumiu que a responsabilidade é sua, apesar de descartar a renúncia.

Às 2h55 da segunda-feira e faltando confirmar só uma das 121 cadeiras em disputa, a coalizão governista do PLD e do Novo Komeito teria conquistado um total de 83 cadeiras na Câmara Alta. Já o PD teria 109 assentos, de acordo com a agência de notícias "Kyodo".

A derrota eleitoral sofrida pelo governista PLD, no poder no Japão desde 1955 exceto por um intervalo de um ano, foi clara e até maior que o previsto, o que pode abrir caminho para um bipartidarismo inédito em mais de 50 anos no Japão. Hidenao Nakagawa, secretário-geral do partido, renunciou após a derrota.

O representante da vitória é o líder da oposição Ichiro Ozawa, de 65 anos, que em 40 anos de carreira política passou por quatro partidos, começando pelo PLD.

Na sede do PD, Ozawa foi recebido pelos correligionários com gritos de "Banzai" para celebrar a vitória nas eleições para o Senado, em que ganhou 27 cadeiras a mais das que já tinha. O líder da oposição deverá descansar alguns dias depois da eleição.

O grande derrotado nas eleições é Shinzo Abe, filho de ministro e neto de primeiro-ministro, conhecido como "príncipe" por seus bons modos, "falcão" no âmbito político e militar, e primeiro chefe de Governo do Japão nascido depois da derrota na Segunda Guerra Mundial.

Aos jornalistas, Abe garantiu que não pretende renunciar e que continuará promovendo reformas. Ele também prometeu mudanças em seu gabinete que, no entanto, podem ser insuficientes para acalmar as vozes dissidentes dentro do PLD.

Abe, de 52 anos, enfrentou a primeira grande eleição nacional em apenas dez meses de mandato. Durante esse tempo, o ministro da Defesa renunciou, o da Agricultura se suicidou e seu vice foi acusado de corrupção.

Mas pior golpe recebido pelo premier japonês aconteceu após a divulgação, em julho, de que o Governo perdeu o registro das contribuições à previdência pública de 50 milhões de cidadãos.

Segundo analistas, sua falta de liderança, pouco brilho pessoal, os casos de corrupção que mancharam o Governo, sempre contrastando com o carisma do antecessor, Junichiro Koizumi, foram determinantes para a derrota de Abe.

Desde que foi eleito novo líder do PLD pelo Parlamento, em 26 de setembro do ano passado, a popularidade dele caiu de 70% para 30% atuais.

Apesar de tudo, boa parte das atenções nestas eleições estava sobre o ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que também tem nacionalidade japonesa e não conquistou a cadeira que queria no Senado japonês, de acordo com as estimativas da "Kyodo".

Fujimori foi apresentado pelo Novo Partido dos Cidadãos (Kokumin Shinto), que até agora só conquistou uma cadeira. Por esse motivo, acredita-se que o ex-líder ficará sem a proteção que buscava para enfrentar o processo de extradição para o Peru.

O pleito para a renovação das 121 cadeiras do Senado contaram com 377 candidatos e cerca de 100 milhões de eleitores.

O índice de comparecimento às urnas nas eleições foi de 58,61%, dois pontos a mais que no último pleito, em 2004, de acordo com as projeções da agência "Kyodo".


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