Os japoneses chamam Yasuo Fukuda de "Senhor Bom Senso" por ter os pés no chão - e foi justamente esse pragmatismo e o aspecto de homem correto que formam suas grandes qualidades em um Japão desiludido.
Yasuo Fukuda nasceu em 16 de julho de 1936 em Takasaki, na província de Gunma. Filho mais velho de Takeo Fukuda, que foi primeiro-ministro do Japão entre 1976 e 1978, estudou Ciências Políticas e Empresariais na Universidade de Waseda. De 1959 a 1976, trabalhou para a petrolífera Maruzen (agora Cosmo Oil) e foi estudar nos EUA entre 1962 e 1964. Por isso, fala fluentemente inglês.
Hoje, é casado e tem três filhos.
Entre 1977 e 1978, entrou na política durante o Governo de seu pai, para quem trabalhou como secretário particular até 1989. No ano seguinte, foi eleito pela primeira vez como parlamentar (e está há cinco mandatos consecutivos). De 1997 a 1998 foi secretário-geral adjunto do PLD e entre outubro de 2000 e maio de 2004 foi ministro chefe de gabinete.
Em setembro de 2006 foi colocada a possibilidade de Fukuda tentar a sucessão de Koizumi mas acabou não concorrendo, abrindo caminho para Shinzo Abe. Justamente um ano depois, substituirá Abe como primeiro-ministro.
Agora, aos 71 anos - mesma idade que seu pai tinha quando foi designado para o mesmo cargo -, Fukuda substituirá Abe que, com 52, foi jovem demais, linha-dura demais, instável demais e, acima de tudo, incompetente demais para um país que reverencia a harmonia e teme sobressaltos.
Fukuda foi eleito ontem (23) presidente do governista PLD com 62% dos votos dos delegados. Nesta terça-feira, ele será nomeado primeiro-ministro pela Câmara dos Deputados, onde seu partido tem ampla maioria, com mais de dois terços.
A era Fukuda parece que será mais tranqüila e menos nacionalista que os meses de Governo Abe, se o veterano político aplicar a diplomacia flexível que defende de aproximação com a China, um certo diálogo com a Coréia do Norte e a aliança com os EUA, mas tudo sem exagerar.
O homem que conseguiu aglutinar o apoio do poderoso aparelho do Partido Liberal Democrático, quando a legenda vê em risco seu monopólio no Japão, é um entre tantos japoneses de classe acomodada que dedicou meia vida à própria empresa (a companhia petrolífera Maruzen) mas, já chegando aos 50, optou por seguir os passos de seu pai.
Este "salaryman" (típico empregado japonês) que em 1977 entrou na política no Governo do pai, Takeo Fukuda (1976-78), será o primeiro primeiro-ministro do Japão a ser filho de outro.
O dado mais destacado em sua biografia fala de sua "cinzice" e de sua prudência: foi o ministro chefe de gabinete que durou mais tempo no cargo, num total de 1.289 dias sob os Governos de Yoshiro Mori e Junichiro Koizumi.
A forte influência foi forjada sobretudo com Koizumi, de quem foi braço-direito e "chanceler oculto". O poder de eminência parda durou até ser obrigado a renunciar em maio de 2004, quando foi descoberto que, como outros ministros, ele sonegou a contribuição com a previdência pública por 36 meses.
Apesar de sua prudência, Fukuda também pode ser loquaz, como quando falou a favor do poder nuclear no Japão - um tabu em um país com uma Constituição pacifista que sofreu os únicos ataques com bombas atômicas da História.
Quando renunciou, Fukuda se desculpou por ter "intensificado a desconfiança na política" dos japoneses.
Agora seu programa incide justamente na necessidade de recuperar a confiança da população no Governo após os escândalos de corrupção que envolveram vários ministros de Abe, algo que ele destacou hoje em seu primeiro discurso como presidente do PLD.
Durante a curta campanha eleitoral contra o ex-ministro do Exterior Taro Aso, Fukuda se deixou ver como um homem "cinza" da velha-guarda do partido frente ao oponente mais carismático.
Mas ele assusta menos os países vizinhos do que Aso com seu programa de política externa mais conciliador. Fukuda já deixou claro que não visitará o templo de Yasukuni, símbolo do nacionalismo japonês, e convence mais os japoneses por sua estabilidade.
Durante os três anos e meio como chefe de gabinete, teve um papel estratégico em materializar a política japonesa mais moderada sobre a Coréia do Norte e é considerado um dos parlamentares mais conscientes da importância de manter boas relações com a China.