LONDRES - Cientistas americanos e japoneses conseguiram encontrar particularidades entre vários episódios pequenos relacionados com os movimentos de materiais no interior da Terra - que até agora eram vistos isoladamente - e os agruparam em uma nova categoria: os "terremotos lentos".
Entre estes fenômenos estão os episódios de tremores profundos, de baixa intensidade, de muito baixa intensidade, lentos deslizamentos de terra e tremores silenciosos.
A nova definição "unifica um tipo diferente de fenômenos sísmicos lentos e pode contribuir para uma melhor compreensão dos processos de afundamento da placa e de aparecimento dos grandes terremotos", afirmam os pesquisadores em um artigo publicado no último número da revista científica "Nature".
Apesar de durarem mais tempo e poderem se prolongar por anos, os episódios de menores movimentos nas profundezas do planeta espalham muita menos energia sísmica que os terremotos comuns.
Os cientistas, que trabalham para as Universidades de Tokyo e de Stanford (Califórnia), encontraram a relação "simples" que diferencia o comportamento dos terremotos lentos do dos sismos comuns e os agrupa como diferentes manifestações de um mesmo fenômeno.
Segundo os pesquisadores, o momento sísmico dos terremotos lentos - a quantidade de energia que liberam - é constante e proporcional a sua duração. Isto não acontece com os tremores comuns, cuja duração é proporcional à raiz cúbica de seu momento sísmico.
Há pouco mais de um mês, cientistas das mesmas universidades publicaram um estudo no qual afirmavam que os rápidos tremores detectados em várias falhas subterrâneas do planeta - incluídos agora na categoria de "terremotos lentos" - podiam ser a prévia de futuras catástrofes sísmicas.
Os "terremotos lentos" acontecem em áreas de afundamento como no Chile e no Japão, onde duas placas tectônicas estão, uma delas afunda embaixo da outra e onde as maiores catástrofes sísmicas da história aconteceram, todas da magnitude de 8 graus ou mais na escala Richter.
Apesar de tudo o que se sabe até agora sobre os terremotos lentos, os cientistas acreditam que ainda é necessário descobrir os mecanismos físicos que os produzem e que a entrada e difusão de algum tipo de líquido nas falhas do planeta pode ser um destes fenômenos.