Pyongyang ameaçou na sexta-feira (17) atacar novamente a Coreia do Sul, dessa vez com mais força do que o bombardeio que deixou quatro mortos no mês passado, se o governo de Seul realizar novas manobras militares na ilha de Yeonpyeong, que fica na fronteira com a Coreia do Norte.
O anúncio sobre o ataque foi divulgado pela agência oficial norte-coreana, a KCNA, num momento em que a Coreia do Sul se prepara para realizar exercícios com munição real na mesma ilha onde ocorreu o bombardeio norte-coreano.
"O ataque vai ser mais sério do que o de 23 de novembro, em termos de força e alcance", disse a KCNA.
Um importante analista de defesa sul-coreano disse que duvida que Pyongyang volte a atacar. O ministério da Defesa sul-coreano disse que o exercício planejado para 18-21 de dezembro seguirá adiante.
A Coreia do Norte tinha dito anteriormente que o ataque efetuado contra a ilha foi uma resposta a "provocações" sul-coreanas. Seul havia feito exercícios militares na ilha, pertencente a seu território e que fica na fronteira marítima com a Coreia do Norte. Pyongyang não gostou e lançou artilharia pesada contra o local matando militares e civis.
"Se eles fizerem isso (atacarem novamente), estarão iniciando uma guerra total", disse Baek Seung-joo, do Instituto Coreano de Análises de Defesa, especializado na estratégia militar da Coreia do Norte.
"É provável é que façam algo que sirva para resguardar seu orgulho, como disparar a artilharia deles perto das águas disputadas (pelas duas Coreias)", disse.
A China, principal aliada da Coreia do Norte, disse que Pyongyang prometeu agir com prudência. A ameaça de um novo ataque do Norte chegou no momento em que a China pede ao vice-secretário de Estado dos EUA James Steinberg, em visita ao país, que as duas grandes potências cooperem para acabar com a tensão na península coreana.
Ela aconteceu também quando o enviado diplomático dos EUA Bill Richardson visitava Pyongyang em um esforço "para reduzir a tensão na península coreana".
A agência de notícias chinesa Xinhua divulgou na sexta-feira (17) que um alto funcionário da diplomacia chinesa, Dai Bingguo, pediu a Steiberg uma coordenação mais estreita entre os dois países com relação à península coreana.
Steinberg esteve em Pequim por três dias, até sexta-feira, para pressionar a China a frear a Coreia do Norte, que, além de disparar contra a ilha no mês passado, também revelou avanços no enriquecimento de urânio que podem abrir um caminho novo para a produção de armas nucleares.
A China vem evitando condenar publicamente sua aliada de longa data pelos disparos de artilharia e o programa nuclear, e, em vez disso, pediu às outras potências que aceitem iniciar novas negociações com a Coreia do Norte.
A Rússia convocou os embaixadores da Coreia do Sul e dos Estados Unidos para expressar sua "preocupação extrema" e exortou os dois países a interromper os exercícios militares, para evitar "uma escalada maior das tensões", nas palavras do ministério das Relações Exteriores russo.
A ameaça de novo ataque da Coreia do Norte foi feita no momento em que o país quer reiniciar as negociações nucleares com Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Japão e Rússia.
O país quer que as negociações sejam retomadas sem condições prévias, o que Washington e Seul rejeitaram porque não querem premiar Pyongyang por ações hostis.