A Coreia do Norte ameaçou no sábado (24) dar uma "resposta física" para as manobras militares que os Estados Unidos e a Coreia do Sul planejam iniciar no domingo (25) nas águas do Mar do Japão.
A ameaça foi anunciada durante a conferência asiática de segurança realizada em Hanói pelo porta-voz da delegação norte-coreana, Rin Tong-iI, depois que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu aos países asiáticos que apliquem as sanções impostas a Pyongyang.
"A posição é de que haverá uma resposta física contra os passos e a ameaça militar imposta pelos Estados Unidos", ressaltou o porta-voz norte-coreano, visivelmente contrariado.
A Coreia do Norte insistiu que os exercícios navais anunciados na terça-feira (20) pelo secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, "são uma ameaça à soberania e segurança" norte-coreana.
Os quatro dias de manobras aconteceram no Mar do Japão com a participação do porta-aviões George Washington, além de cerca de 20 de navios de guerra e aviões caças de combate F-22, segundo um comunicado da Junta do Estado-Maior sul-coreana e das forças americanas.
O funcionário norte-coreano disse que a presença do George Washington, embarcação com propulsão nuclear, é um perigo para a segurança da península coreana.
"Já deixamos para trás o século XIX no qual se manteve a diplomacia do navio armado", destacou o porta-voz da delegação norte-coreana, liderada pelo ministro de Assuntos Exteriores, Pak Ui Chun.
A chefe de diplomacia dos EUA anunciou na quarta-feira (21) em Seul novas sanções ao regime de Pyongyang em resposta ao afundamento do navio sul-coreano "Cheonan", atribuído a um míssil norte-coreano, que causou a morte de 46 marinheiros no dia 26 de março.
O porta-voz norte-coreano insistiu que os resultados da investigação realizada por uma comissão internacional para esclarecer o afundamento do "Cheonan" foram "inventados" para responsabilizar a Coreia do Norte.
"Não vamos nos desculpar quando a verdade sobre o incidente ainda não veio à tona. Se alguém deve solicitar perdão tem que ser a Coreia do Sul, que é responsável pôr colocar a península coreana a ponto de explodir", disse Tong-iI nos corredores de centro de convenções da capital vietnamita foi realizado o fórum de segurança.
Hillary, apoiada pelo Japão e Coreia do Sul, defendeu que o comunicado conjunto da reunião refletisse uma condenação a Coreia do Norte em termos duros. No fim, o texto refletiu apenas a "profunda preocupação" pelo caso da embarcação "Cheonan".
"Uma medida da solidez de uma comunidade de nações é como responde às ameaças contra seus membros, vizinhos e região", disse a secretária de Estado norte-americana.
Outro grupo, liderado pelo ministro de Assuntos Exteriores da China, Yang Jiechi, e secundado por seus dez colegas da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), se mostrou contrário a condenar Pyongyang por escrito.
A conferência asiática de segurança organizada todos os anos pelas Asean serviu previamente de cenário para enviar mensagens a Coreia do Norte, membro do fórum da mesma forma que os outros cinco países que participam das negociações: Coreia do Sul, Japão, Rússia, China e Estados Unidos.
Em sua intervenção, Clinton também pediu a Pequim e aos países banhados pelas águas do Mar da China Meridional que resolvam suas disputas territoriais mediante o diálogo, em alusão aparente às ilhas Spratlys, disputadas pela China, Filipinas, Vietnã, Malásia, Taiwan e Brunei.