A Coreia do Norte pediu na quarta-feira (5) pela realização de negociações incondicionais com a Coreia do Sul, mas Washington sugeriu que o país precisa primeiro dar um fim às "provocações", assumir a responsabilidade por um ataque de artilharia e renovar seu compromisso com o pacto nuclear de 2005.
Não se sabe se a Coreia do Sul vai atender ao pedido do Norte, menos de dois meses depois que militares norte-coreanos bombardearam uma ilha sul-coreana matando quatro pessoas.
"Exigimos conversações incondicionais entre as autoridades responsáveis (do Sul e do Norte)", disse a agência norte-coreana KCNA, citando um comunicado, que foi emitido em conjunto pelo governo da Coreia do Norte, o Partido dos Trabalhadores da Coreia e outras organizações.
"Estamos preparados para nos encontrar com qualquer pessoa, independentemente do passado, se for alguém que estiver disposto a caminhar em parceria conosco para o futuro", acrescentou a nota.
O comunicado propôs ainda "a interrupção da difamação e das calúnias recíprocas e o fim das provocações, a fim de criar uma atmosfera de melhores relações intercoreanas."
Embora a declaração do Norte pareça conciliatória, os Estados Unidos deixaram claro que precisam ver ação por parte de Pyongyang.
"Há coisas que a Coreia do Norte tem de mostrar tanto para a Coreia do Sul quanto para os Estados Unidos, provando que está preparada para criar um diálogo permanente e construtivo", disse a jornalistas o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, P.J. Crowley, em Washington.
"O comprometimento de que não haverá novas provocações certamente seria um passo. Demonstrar que está preparada para avançar com seus compromissos no âmbito da declaração conjunta de 2005 seria mais um passo", acrescentou.
Segundo esse pacto, a Coreia do Norte prometeu abandonar seus programas nucleares, mas os líderes reclusos e muitas vezes imprevisíveis do país comprometeram-se no passado, com poucos resultados práticos.
Crowley fez os comentários após uma reunião em Washington entre a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e o ministro das Relações Exteriores da China, Yang Jiechi.
Os Estados Unidos têm buscado a ajuda da China para convencer seu aliado norte-coreano a abandonar seu programa nuclear.
O enviado dos EUA para política norte-coreana, Stephen Bosworth, se reuniu com autoridades sul-coreanas em Seul, antes de ir para a China. Washington espera que as negociações sobre o desmantelamento do programa nuclear da Coreia do Norte possam começar em breve, apesar de avanços serem improváveis.