SEUL - O líder norte-coreano, Kim Jong-il, reestruturou a cúpula militar do país para fortalecer o poder em um contexto de constantes especulações sobre sua sucessão, informaram no dia 21 fontes de inteligência sul-coreanas citadas pela agência "Yonhap".
O objetivo das mudanças na cúpula militar norte-coreana parece ser o fortalecimento da Comissão Nacional de Defesa, o principal órgão de decisão do país.
Estes movimentos alimentam a hipótese de que, nas discussões internas do primeiro regime comunista hereditário da história, esteja sendo analisada a possibilidade de que uma junta militar suceda o atual líder, segundo as fontes da "Yonhap".
Kim Jong-il descartou o primogênito, Kim Jong-nam, como primeira opção depois do incidente de 2001, quando tentou entrar no Japão com um passaporte falso da República Dominicana para visitar a Disneylândia em Tokyo, o que desgostou profundamente o líder norte-coreano.
Embora o segundo filho, Kim Jong-chol, que estudou na Suíça, apareça como um possível candidato, ele não recebeu a bênção oficial do pai.
O "amado líder" completou 65 anos, idade com a qual seu pai e anterior líder da Coréia do Norte, Kim Il-sung, já o tinha designado como sucessor.
A falta de informação sobre quem chegará ao poder da Coréia do Norte com a saída de Kim, somada ao fortalecimento recente de vários órgãos militares, não permitem descartar a idéia de que outorgue o poder a uma junta militar.
Entre as recentes nomeações destaca-se a do ex-diretor de operações do Exército do Povo da Coréia do Norte (KPA), Ri Myong-su, que foi designado membro permanente da Comissão Nacional de Defesa.
A comissão foi fortalecida na revisão constitucional de 1997, na qual se intensificaram os preceitos da doutrina "Songun", que estabelece a prioridade do militar sobre os demais.
A vaga deixada por Ri à frente da direção de operações do Exército foi ocupada por Kim Myong-guk, e a direção de propaganda do Escritório Política Geral do KPA será ocupada pelo tenente-general Jong Thae gun.
Além das mudanças divulgadas no dia 21 se soma a nomeação, no dia 18, do ex-embaixador na Rússia Pak Ui Chun, um grande crítico dos Estados Unidos e em acordo com os líderes do regime, como ministro de Exteriores.
As especulações sobre a sucessão de Kim Jong-il chegam em um momento em que a Coréia do Norte está imersa em uma crise internacional iniciada com seu advento nuclear, um passo no qual o Exército norte-coreano esteve implicado por necessidade.
Assim que o conflito do Iraque ficou estabilizado com um precário equilíbrio, o teste atômico de outubro transferiu para Pyongyang o centro da atenção internacional e aumentou o isolamento do país comunista.
Em 13 de fevereiro, o Governo liberou parte da pressão que atingia a Coréia do Norte após fechar um acordo com Coréia do Sul, Japão, China, Rússia e Estados Unidos para receber ajuda humanitária em forma de energia em troca do desmantelamento do potencial nuclear norte-coreano.
No entanto, a recusa da Coréia do Norte em iniciar a desnuclearização até que receba os US$ 25 milhões que permanecem retidos em Macau volta pouco a pouco a atrair a atenção das potências asiáticas e, sobretudo, dos Estados Unidos.
O dinheiro ficou congelado durante mais de um ano e meio a pedido de Washington em um banco de Macau, residência habitual do filho mais velho de Kim Jong-il.
Os Estados Unidos permitiram o desbloqueio das mais de 50 contas de titularidade norte-coreana como parte do pacto para o desmantelamento nuclear da Coréia do Norte, mas problemas técnicos impediram sua transferência para um lugar ao qual o regime norte-coreano possa ter acesso.