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Publicado em  16/12/2010 11:15

Crise de 2008 reduziu os aumentos salariais

Relatório da Organização Internacional do Trabalho mostra que em alguns lugares o nível salarial está no limite que permite a lei

Suíça - Efe

A crise econômica reduziu quase pela metade os aumentos salariais no mundo todo, informou na quarta-feira (15), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), organismo ligado à Organização das Nações Unidas (ONU).

Os aumentos salariais caíram de 2,8% em 2007, para 1,5% em 2008 e 1,6% em 2009. Caso a China fosse excluída da estimativa, a alta salarial média no mundo seria de 0,8% em 2008 e de 0,7% em 2009, de acordo com o "Relatório Mundial sobre Salários 2010/2011" da OIT.

O documento - que reúne dados de 115 países representantes de 94% dos quase 1,4 bilhão de assalariados no mundo - identifica "importantes variações regionais nas taxas de crescimento salarial".

As altas do salário real se mantiveram "consistentes" na Ásia e na América Latina, enquanto na Europa Oriental e na Ásia Central "sofreram forte queda", já que registraram alta de 17% em 2007 e queda de 2,2% em 2009.

Nos países mais avançados, o crescimento do salário real se situou em 2007 a 0,8% e, embora em 2008 tenha caído para 0,5% de média, em 2009 voltaram a registrar aumento de 0,6%.

Para o diretor-geral da OIT, Juan Somavía, "a recessão não só foi dramática para quem perdeu seu emprego, mas também afetou quem consguiu se manter no trabalho, ao reduzir de maneira drástica o poder aquisitivo e o bem-estar geral".

O contraste se acentua ao considerar que, na última década, a média mundial de salários cresceu quase 25%, embora a alta acompanhe os aumentos nas regiões em desenvolvimento, como Ásia e Europa Oriental.

Nos países avançados, os ganhos aumentaram 5% em termos reais durante os últimos dez anos. De acordo com a OIT, o fato "reflete um período de moderação salarial".
Um dos responsáveis pelo relatório, Patrick Belser, calcula que, em 2010, os países do G20 registrarão alta salarial média de 2%, "sem chegar ao nível de antes da crise, mas quase".

Até o momento, metade dos países ajustou seus salários mínimos, o que representou "mudança em relação a crises anteriores, nas quais o congelamento do salário mínimo era a norma", de acordo com o estudo.
Atualmente há maior quantidade de pessoas no limite legal do salário, pois a percentagem de trabalhadores que recebem salário baixo - menos de dois terços do salário médio - cresceu desde meados dos anos 1990 em cerca de 65% dos países.
Assim, a OIT diz que houve "extensa e crescente desigualdade salarial" ao lado de uma "forte discriminação", fruto da persistência de salários baixos e brechas salariais, tanto nos países industrializados como naqueles em desenvolvimento.

Os trabalhadores que recebem pouco tendem a ser, "de forma desproporcional", jovens e mulheres e que pertencem a uma minoria étnica ou racial.


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