O ex-presidente peruano, Alberto Fujimori, foi condenado a 25 anos de prisão por um tribunal especial da Alta Corte de Justiça do Peru, por violações de direitos humanos.
Fujimori, de 70 anos, foi considerado culpado das acusações de homicídio qualificado e assassinato, lesões graves e sequestro nos massacres de Barrios Altos e La Cantuta, que deixaram 25 mortos em 1991 e 1992. Fujimori foi ainda considerado responsável pelos sequestros do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, mantidos reféns no porão do Serviço de Inteligência do Exército.
O presidente da sala, César San Martín, explicou que os delitos foram executados por agentes públicos do Estado, membros do grupo militar encoberto Colina, autor material dos massacres. O grupo usou como justificativa para os assassinatos supostas ligações das vítimas com o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso.
Os agentes do Colina atuaram sob ordens do assessor de Fujimori, Vladimiro Montesinos, chefe do Serviço de Inteligência e que dirigia todos os organismos de segurança pública do Estado. San Martín afirmou também que Fujimori trabalhou para esconder os fatos após saírem ao conhecimento público. "Não existiu vontade institucional de esclarescer os crimes de violações de direitos humanos, ao contrário, a resposta foi no sentido de negar os casos", disse.
Fujimori, que governou o Peru de 1990 a 2000, negou todas as acusações e criticou o julgamento. "Interponho um recurso de nulidade", afirmou Fujimori, quando questionado sobre a sentença."Quem livrou o Peru do terrorismo e da instabilidade está no banco dos réus", disse.
O ex-presidente chegou a desfrutar de uma grande popularidade por ter fortalecido a economia do país e derrotado o Sendero Luminoso, mas um escândalo de corrupção derrubou seu governo em 2000 e ele escapou para o exílio no Japão. Fujimori, que já está há dois anos detido em Lima, deverá ficar na prisão até 2032.