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Publicado em  08/01/2008 19:30

G10 adverte de que tensões nos mercados persistem

Bancos centrais decidem executar ações coordenadas para injetar liquidez nos mercados se for preciso

- Efe

FRANKFURT (Alemanha) - Os bancos centrais do G10, bloco que reúne os onze países mais industrializados do mundo, advertiram hoje (8) de que as tensões nos mercados de dinheiro ainda existem e que atuarão novamente de forma conjunta se for necessário.

Após a reunião na sede do Banco de Pagamentos Internacionais (BIS) em Basiléia (Suíça), o presidente do Banco Central Europeu (BCE) e porta-voz do G10, Jean-Claude Trichet, disse que as autoridades monetárias executarão ações coordenadas para injetar mais liquidez nos mercados de dinheiro se for preciso.

O Federal Reserve (Fed, banco central americano), o BCE e as autoridades monetárias de Canadá, Inglaterra e Suíça injetaram em conjunto no final de dezembro dinheiro nos mercados para reduzir as taxas de juros interbancários.

Trichet demonstrou estar satisfeito com esta ação coordenada, a qual considerou "eficiente", mas disse que as tensões nos mercados de dinheiro ainda existem, principalmente a longo prazo.

Questionado sobre se as entidades monetárias vão intervir novamente nos mercados de forma coordenada, o presidente do BCE se limitou a dizer que esses organismos permanecerão "em contato muito estreito no futuro".

Ele acrescentou que a ação conjunta destas entidades "foi muito importante e ajudou consideravelmente a estabilizar a situação", no que foi a primeira atuação conjunta de vários bancos centrais desde os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos.

Trichet afirmou que, agora, os bancos centrais do G10 observarão atentamente o funcionamento dos mercados de dinheiro.

Os presidentes das autoridades monetárias do bloco se reúnem a cada dois meses sob a supervisão do BIS em Basiléia para analisar a situação da economia mundial.

Desta vez, dirigentes de alguns bancos comerciais também participaram da reunião, como o do Deutsche Bank, Josef Ackermann.

O Fed e o BCE ofereceram conjuntamente dólares aos bancos comerciais da zona do euro, que se emprestavam dinheiro em meados de dezembro a 4,95%, percentual muito afastado da taxa fixada pela entidade européia, de 4%.

A taxa básica de juros do Banco Central Europeu é o percentual mínimo nas operações de refinanciamento conduzidas pela entidade monetária.

Após esta ação coordenada, as taxas de juros no mercado interbancário do euro caíram levemente.

Desde o início da crise de crédito, em agosto, o BCE injetou liquidez no sistema financeiro para restaurar a confiança dos bancos, que se recusam a fazer empréstimos de dinheiro entre eles.

Isso acontece porque as instituições bancárias desconhecem até que ponto os concorrentes foram afetados pela falta de pagamento das hipotecas de alto risco dos Estados Unidos ("subprime").

Trichet insistiu em que ainda não são claros os efeitos da atual crise financeira sobre a economia internacional. O banqueiro francês disse que o crescimento da economia mundial é forte, mas que existem riscos em baixa devido às turbulências financeiras geradas pelas hipotecas americanas.

Acrescentou que o forte encarecimento do petróleo e de outras matérias-primas, assim como de alguns alimentos, é outro risco em baixa para a recuperação econômica.

O G10 é formado, na verdade, por 11 países, os quais representam cerca de 85% da economia mundial: Alemanha, Bélgica, Canadá, EUA, França, Holanda, Itália, Japão, Reino Unido, Suécia e Suíça.


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