WASHINGTON - A queda do dólar e a alta do petróleo fizeram o mercado se concentrar ontem (20) na cúpula em Washington do G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo, que também abordará os efeitos da recente crise financeira.
O encontro é um dos mais importantes do grupo nos últimos anos, devido à repentina piora das condições econômicas internacionais.
Os ministros da Economia e presidentes dos bancos centrais de Estados Unidos, Itália, Alemanha, França, Japão, Canadá e Reino Unido se reuniram no Departamento do Tesouro americano em seu primeiro encontro após os problemas enfrentados pelos mercados entre julho e setembro.
A Europa, especialmente a França, chega à reunião preocupada com a valorização do euro em relação ao dólar, reforçada nas últimas semanas pela fraqueza da economia americana e pela perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) diminua as taxas de juros.
A moeda americana está marcada por um déficit por conta corrente que alcançará 5,7% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), e que corresponde a um superávit na China, no Japão e nos países exportadores de petróleo.
"Nenhuma região deveria suportar sozinha o peso do ajuste" desses desequilíbrios, disse o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquín Almunia, em discurso na noite de quinta-feira (18) na Universidade Johns Hopkins.
Almunia citou a desvalorização do dólar como um dos "ventos contra" a economia européia, pois encarece suas exportações para os EUA e para a China.
Os analistas aguardam o comunicado final do grupo em busca de alguma mudança na linguagem que indique preocupação com a queda do dólar.
O Departamento do Tesouro mantém a tradicional política em favor de "um dólar forte", mas na prática não fez nada para aplicá-la. A visão generalizada nos EUA é de que a desvalorização da moeda é positiva.
"Enquanto a queda acontecer a um ritmo mensurado, é positiva, levando em conta o déficit por conta corrente" do país, explicou Goldstein.
Europa e EUA podem concordar em pressionar a China para que flexibilize sua taxa de câmbio.
O debate sobre o tema continuará durante o fim de semana na assembléia anual do FMI e do Banco Mundial (BM).
Outro assunto colocado na agenda do G7 é o preço do petróleo, que chegou ontem ao recorde de US$ 90 por barril nos mercados americanos.
A alta poderia alimentar a inflação e reduzir o crescimento econômico em todo o planeta.
No entanto, o G7 pode fazer pouco a respeito. Na reunião, não estiveram presentes os países exportadores de petróleo, nem China ou Índia, responsáveis por grande parte do aumento da demanda mundial.
O terceiro principal assunto da cúpula é a análise das lições da turbulência financeira dos últimos meses, mas neste âmbito também não são esperadas ações imediatas.
França e Alemanha pediram mais regulação dos mercados para aumentar a transparência, e Almunia pediu uma "resposta internacional coordenada" para os problemas.
No entanto, EUA e Reino Unido se mostraram cautelosos em relação a uma maior intervenção pública - posição que é compartilhada pelo FMI.
O próprio Almunia disse que a análise dos fatores relacionados à crise financeira só será concluída "no mais tardar" no final de 2008.