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Publicado em  02/03/2008 0:46

Imigração vira tema central de eleições na Espanha

Uma das propostas é somente aceitar os que cumprem leis, aprendem a língua e respeitam os constumes

Espanha , Comunidade de Madri - Efe

Na reta final da campanha para as eleições espanholas de 9 de março, a imigração se tornou um dos principais temas abordados pelos principais candidatos, que, à medida que o pleito se aproxima, elevam o tom em seus discursos.

Hoje, o Partido Socialista (PSOE), ao qual pertence o presidente do Governo espanhol, Luis Rodríguez Zapatero, acusou seu maior adversário, o conservador Partido Popular (PP), de "utilizar" a questão migratória para pôr medo na população.

O responsável pela crítica foi a vice-presidente do Governo, María Teresa Fernández de la Vega, segundo quem a oposição tenta gerar divisão e desconfiança com o assunto.

"Pusemos legalidade onde havia ilegalidade e ordem onde havia desordem", declarou De la Vega, que ressaltou que os imigrantes que chegam à Espanha para trabalhar são bem recebidos.

Em resposta às declarações do líder do PP, Mariano Rajoy, de que a Espanha não comporta "todos (os imigrantes)", a número dois do Governo espanhol ressaltou nesta sexta-feira que os únicos que "não cabem" no país são os que descumprem as leis ou chegam ilegalmente.

Mais crítico ainda com os populares foi o porta-voz do PSOE no Congresso dos Deputados (câmara baixa do Parlamento), Diego López Garrido, que afirmou hoje que, numa tentativa desesperada de vencer as eleições, "o PP quer transformar a campanha num debate sobre os instintos mais baixos e xenófobos".

A proposta mais polêmica dos conservadores no campo da imigração é o chamado "contrato de integração", apresentado por Rajoy e que assegura aos imigrantes os mesmos direitos dos espanhóis, desde que eles se comprometam a "cumprir as leis, aprender a língua e a respeitar os costumes" nacionais.

Os socialistas, por sua vez, querem conduzir e canalizar de forma ordenada os fluxos migratórios, lutar contra a imigração ilegal e favorecer a integração, mas sem nenhum contrato de direitos e obrigações. É o que a vice-presidente definiu hoje como uma política baseada na "lei e na ordem".

No entanto, De la Vega não quis participar da troca de acusações surgida entre os dois partidos desde a entrada na campanha de dois pesos pesados da política espanhola, os ex-presidentes de Governo Felipe González (PSOE) e José María Aznar (PP).

Ontem, González esquentou a disputa durante um discurso em Málaga, onde, numa alusão direta a Rajoy, afirmou que "só um imbecil" teria a petulância de se dizer "mais inteligente, mais moderado e mais não sei o quê" que Zapatero.

Igualmente provocador foi Aznar, que afirmou que o atual presidente do Governo não diz que, se ganhar as eleições, não voltará a negociar com o grupo separatista ETA, já que, segundo disse, "nunca deixou de fazê-lo e também não o fará agora".

As acusações de Aznar a Zapatero foram feitas pouco antes de a organização terrorista entrar na campanha eleitoral explodindo uma bomba na sede do Partido Socialista da localidade de Derio, no País Basco (norte).

A explosão não deixou feridos, tendo apenas causado danos materiais ao edifício, segundo fontes da luta antiterrorista, segundo as quais a bomba estava composta por três quilogramas de amonal.

Depois do incidente, o Governo decretou "alerta máximo" e disse que está fazendo tudo o que está a seu alcance para garantir a segurança da população, disse De la Vega nesta sexta-feira.

Em entrevista coletiva, a vice-presidente do Governo espanhol acrescentou que o Executivo "não jamais baixou a guarda" frente à ameaça representada pela ETA.


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