MANILA - Ambientalistas filipinos denunciaram no dia 2 em frente à Embaixada do Japão em Manila a política japonesa de garantir investimentos e ajuda econômica aos países asiáticos em desenvolvimento, exigindo em troca que eles recebam os seus resíduos tóxicos.
Os ativistas satirizaram a célebre foto da bandeira dos Estados Unidos sendo hasteada na batalha de Iwo Jima (Segunda Guerra Mundial), num tablado armado perto da Embaixada. Uma bandeira japonesa ilustrada com o símbolo do iene foi hasteada sobre uma pilha de lixo, para ilustrar a forma como o Japão se livra de seus resíduos mais nocivos.
"Somos contra o uso de acordos comerciais para levar a países vizinhos os produtos tóxicos do Japão, muitos dos quais proibidos no mundo todo ou restringidos", diz o comunicado da EcoWaste Coalition, uma aliança de grupos ambientalistas, como o Greenpeace.
Para o grupo, a política de "tarifa zero" para os produtos facilita e legaliza a chegada de lixo tóxico aos países mais pobres da Ásia.
"Rejeitamos qualquer plano que transforme nossos países em depósitos de lixo tóxico e ponha em perigo a saúde de nossos trabalhadores e comunidades", disse Manny Calonzo, coordenador do Gaia, integrante da Coalizão.
Os ecologistas pediram o envio de cartas de protesto ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, para dizer que "a Ásia não é a colônia tóxica do Japão" e exigir o cumprimento de tratados internacionais sobre proteção ao meio ambiente.
A Convenção de Basel proíbe a exportação de resíduos tóxicos dos países desenvolvidos aos do Terceiro Mundo, inclusive os recicláveis.
O pedido foi estendido aos Governos das Filipinas e Tailândia, à Organização Mundial do Comércio, à Organização Mundial da Saúde e ao Programa Ambiental da ONU.