O governo japonês lamentou na terça-feira (1) o ataque de Israel a um comboio de ajuda humanitária que levava voluntários e comida para os palestinos na Faixa de Gaza. O ataque aconteceu em alto mar, na segunda-feira (31), matando 19 civis. O comboio foi atacado fora das milhas marítimas israelenses.
"O Japão condena a violência que deixou inúmeras vítimas", disse um porta voz do ministério das Relações Exteriores do Japão.
O ataque desencadeou uma onda de protestos e condenações na comunidade internacional, e obrigaram o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, a suspender a reunião que teria na terça-feira (1) em Washington com o presidente Barack Obama, retornando a Israel.
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto em resposta ao ataque, que qualificou de "massacre".
O ataque à frota, formada por seis embarcações com mais de 750 ativistas de 60 nacionalidades e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a população da Faixa, aconteceu por volta das 4h (10h, Tokyo).
Dois helicópteros do exército israelense com tropas de elite pousaram sobre o teto da embarcação Mavi Marmara, cujos passageiros eram em sua maioria turcos. Um canal árabe transmitiu imagens ao vivo até perder o sinal com a embarcação.
Testemunhas ouvidas nos primeiros momentos do ataque falaram que os soldados desceram dos helicópteros já atirando, o que gerou um banho de sangue.
A versão do exército israelense é de que um grupo de ativistas recebeu as tropas com bombas de efeito moral, navalhas e outras armas, ferindo dois soldados.
"Em um determinado momento, os equipamentos antimotim dos comandos não eram suficientes para o cenário em que se encontravam", explicou o chefe do exército, Gabi Ashkenazi, em entrevista coletiva em Tel Aviv.
O alto comando do exército disse que os soldados abriram fogo depois que os ativistas dispararam com duas pistolas.
Israel preparava há dias a abordagem à frota para fazer valer o bloqueio por terra, mar e ar imposto a Gaza há três anos.