WASHINGTON - A Comissão Internacional Baleeira (CIB) iniciou no dia 28, em Anchorage (Estados Unidos), uma reunião marcada pela preocupação dos ecologistas e por pressões do Japão para suspender a moratória para a caça de baleias, após 21 anos.
Embora o Japão - o país que mais se esforçou para reverter a moratória desde sua implantação, em 1986 - reconheça que não conta com apoio suficiente para forçar o fim da proibição, as organizações ambientalistas denunciam que o Governo do país e seus aliados "estão destruindo o acordo".
A organização americana Pew Environment Group (PEG) lembrou que, apesar da moratória, no ano passado, o Japão e outros países caçaram cerca de 2.500 baleias por razões "científicas", o maior número desde que a proibição entrou em vigor.
Outro dado que preocupa os ecologistas é o de que, pela primeira vez desde 1986, a CIB permitiu que o Japão cace as emblemáticas baleias corcundas.
Além disso, as organizações protetoras dos animais temem que a posição japonesa esteja ganhando adeptos dentro da CIB.
O Japão precisa da adesão de 75% dos mais de 70 países representados na reunião para anular a moratória. No ano passado, o país já obteve o apoio da maioria para uma moção simbólica, que pedia o fim da moratória.
Os ambientalistas temem que o grupo de países a favor da caça tenha aumentado este ano, e por isso consideram o encontro de 2007 fundamental para o que pode acontecer a curto prazo.
O PEG, que apresentará os resultados de um simpósio realizado em abril, na 59º reunião anual da CIB, que contou com a presença de mais de 60 especialistas de todo o mundo, teme que os países que se opõem à caça de baleias estejam abrindo mão de sua posição diante da constante pressão das nações a favor de sua caça.
"A proteção das baleias é uma preocupação mundial", afirmou Joshua Reichert, diretor do PEG, na semana passada.
"O atual regime para conservar as baleias não está sendo eficiente. A menos que a comunidade mundial encontre uma forma melhor para responder às debilidades do sistema, estes animais terão pela frente um futuro cada vez mais incerto", acrescentou Reichert.
Japão, Noruega e Islândia - principais caçadores de baleias - consideram que, após mais de duas décadas de proteção, a CIB deveria suspender a moratória, e permitir que suas frotas retomem a caça comercial dos maiores mamíferos do planeta.
Estes países argumentam que a população de baleias do planeta se recuperou a níveis que permitem uma caça sustentável.
Apesar da proibição, as três nações caçam anualmente centenas de baleias, sob o pretexto de realizar estudos científicos e pesquisas.
Somente o Japão tem uma cota "científica" de cerca de 2 mil animais ao ano.
Além disso, a CIB reconhece o direito à caça tradicional realizada pelos inuit do Ártico, conhecidos como esquimós, já que a carne da baleia e de outros mamíferos marítimos continua sendo um elemento básico de sua alimentação.
Mas o Japão argumenta que suas populações litorâneas têm o mesmo direito histórico de caçar baleias.
Diante da aparente impossibilidade de conseguir o número de votos necessário para retomar a caça comercial, um dos principais objetivos do Japão na reunião de Anchorage é aumentar sua cota de capturas "científicas", algo a que as organizações ambientalistas se opõem.
Organizações como o Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal (IFAW) e o Greenpeace denunciaram que o número de animais caçados pelo Japão em 2006 superou a demanda de carne de baleia no país, e o excedente foi utilizado na produção de carne para cachorros.