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Publicado em  19/05/2007 15:26

Peru quer depoimento contra Vladimiro Montesinos

Diplomata japonês é chamado para testemunhar e acusar o ex-assessor de homicídio

- Efe

LIMA - A Promotoria federal do Peru encaminhou no dia 18 um ofício à Justiça para que o diplomata japonês que acusou publicamente de homicídio o ex-assessor da Presidência do país Vladimiro Montesinos testemunhe no julgamento do parlamentar.

Hidetaka Ogura era funcionário da Embaixada do Japão em Lima e teria presenciado as execuções de três membros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA) após o término de um seqüestro que manteve 72 pessoas reféns no local por 126 dias em 1997. Segundo o diplomata, as ordens para a morte dos guerrilheiros teriam partido de Montesinos.

Os três rebeldes, dois homens e uma mulher, foram vistos vivos após os militares terem tomado a embaixada.

O banco dos réus é formado por Montesinos, acusado de homicídio triplamente qualificado, pelo coronel reformado Roberto Huamán Azcurra e pelo ex-chefe das Forças Armadas Nicolás Hermoza Ríos, para os quais a promotoria reivindicou penas de 20, 15 e 8 anos de prisão, respectivamente.

O também coronel reformado Jesús Zamudio, outro dos supostos autores das execuções, tem seu nome incluído na acusação, mas sua sentença será adiada por estar foragido.

Durante a operação militar, denominada "Chavín del Huántar", morreram um refém, dois militares e os 14 seqüestradores, segundo a versão oferecida pelo então presidente Alberto Fujimori (1990-2000) naquela ocasião.

No entanto, o diplomata japonês, que estava entre os reféns, afirmou ter visto com vida pelo menos um dos membros do movimento: Eduardo Cruz Sánchez (conhecido como "Tito"), que aparentemente foi desarmado e detido.

Além disso, dois policiais que estavam na residência do embaixador japonês no dia do resgate disseram ter sido testemunhas da tentativa de fuga de "Tito", confundido entre os reféns japoneses, e que este foi entregue com vida aos militares.

O promotor Martín Retamozo pediu no dia 18 que o tribunal tome o depoimento de Ogura sobre a primeira versão conhecida sobre as supostas execuções, que o diplomata apresentou em um livro publicado no Japão anos depois.

Retamozo também solicitou a inclusão entre as testemunhas do coronel de Exército reformado Jaime Patiño, que concebeu a operação de resgate, e o coronel reformado José Williams Zapata, responsável pela execução da medida.

A acusação considera que os "emerretistas" Víctor Peceros Pedroza, Herma Meléndez Cueva e Eduardo Cruz Sánchez foram executados quando já estavam desarmados.

Segundo o promotor, a ordem para executar os seqüestradores partiu de uma "rede de comando paralela", supostamente formada então pelo presidente Alberto Fujimori (1990-2000) e Montesinos, além de Hermoza, Huamán e Zamudio.

Por outro lado, a defesa pediu a presença de vários ex-reféns, entre eles o atual primeiro vice-presidente do Governo peruano, Luis Giampietri, que facilitou informação aos militares do interior da representação diplomática e que poderia depor que não aconteceram execuções.

A advogada que representa os "emerretistas" mortos, Gloria Cano, disse que a importância do julgamento se baseia na "divulgação da verdade do que aconteceu durante e depois da operação".

A membro da Associação Pró Direitos Humanos (Aprodeh) acrescentou em declarações à Efe que os seqüestradores do MRTA "deveriam ser colocados à disposição das autoridades e punidos de acordo com a gravidade do crime que eles cometeram", mas não "serem eliminados extra-oficialmente".

O julgamento será retomado em 25 de maio após uma primeira audiência realizada hoje na sala de Audiências da Base Naval de Callao, onde Montesinos está detido por outros crimes de corrupção.


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