O Ministério das Relações Exteriores reagiu hoje (1 no Brasil) à decisão da Justiça do Reino Unido que declarou a Scotland Yard culpada pela morte por erro do eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes, e afirmou que a sentença abre caminho para novas iniciativas a favor da família da vítima.
"Embora sem singularizar os indivíduos responsáveis pela tragédia, a decisão reconhece a responsabilidade da Polícia Metropolitana no caso e abre caminho para novas iniciativas em favor da família daquele inocente cidadão brasileiro", disse a Chancelaria em comunicado.
Há mais de dois anos, o brasileiro foi abatido a tiros por policiais, que acharam que ele era um terrorista suicida.
O Ministério anunciou que "recebeu a notícia" de que a Scotland Yard havia sido condenada a pagar uma multa de 175 mil libras (US$ 363.930) mais os custos do processo, de 385 mil libras (US$ 779.850) "por burlar as normas de segurança e saúde da população na operação".
Na nota, o Ministério "renova a solidariedade e o apoio do Governo brasileiro à família" da vítima e promete continuar acompanhando o caso e prestando assistência.
Jean Charles de Menezes, que tinha 27 anos, foi abatido com oito tiros (sete na cabeça e um no ombro) no dia 22 de julho de 2005, na estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres. Agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard confundiram o eletricista com um dos terroristas que tinham tentado na véspera cometer um atentado contra a rede de transporte de Londres.
No ano passado a Promotoria britânica exonerou os agentes envolvidos, e processou a instituição em seu conjunto com base na Lei de Segurança e Higiene no Trabalho, de 1974.
A família Menezes disse hoje em Londres que "não descansará" em sua luta por justiça e acrescentou que reivindicará "uma investigação completa e conscienciosa".