VITRINE


Publicado em  22/01/2010 11:46

No Coração do Planeta

Muita gente está de olho nesta mestiça de São Paulo que há dois anos e meio ganhou destaque à frente das reportagens do programa Planeta Brasil - Edição Japão

/ VITRINE


No-coracao-do-Planeta
Foto: Ricardo Yamamoto

Se você acha que já viu este rostinho em algum lugar, saiba que não se trata de mera coincidência. Desde os oito anos de idade ela circula pelos bastidores – e palcos - da televisão brasileira e hoje, aos 27, Andrea Mayumi Kimura faz reportagens para telejornais, participa da produção e da edição do programa Planeta Brasil - Edição Japão e, principalmente, carrega nas delicadas mãos uma grande responsabilidade: com dignidade e descontração, dar voz aos brasileiros que riem, choram, trabalham e vivem no Japão o dia-a-dia de imigrante. E já que 2010 vai ser um ano movido pela força feminina, nada mais justo do que valorizar esta representante das tantas mulheres que acordam cedo, dormem tarde, sonham e, com o pensamento lá na frente, produzem mais que muito marmanjo por aí.

VITRINE_ É Andrea ou Mayumi?

MAYUMI_ Andrea? Nem sei que é essa pessoa (risos)... desde criança sempre fui chamada de Mayumi.

VITRINE_ Ok. Mayumi, fale um pouco sobre o trabalho que você e o Renato fazem.

MAYUMI_ O Planeta Brasil Edição Japão é um presente que ganhamos da Globo Internacional e que trabalhamos para cuidar com carinho e responsabilidade, é aquela coisa que não deixa a gente esquecer de onde veio e o que quer. Todo mundo vem pra cá com um sonho e a gente faz questão de mostrar pessoas determinadas, que ainda têm consciência daquele sonho inicial e que estão correndo atrás. É o programa que não deixa a gente esquecer disso.

VITRINE_ E você, como é a sua história com a televisão?

MAYUMI_ Começou aos oito anos de idade, quando uma vizinha minha em São Paulo que apresentava um programa infantil começou a me levar para ver as gravações. Era a (cantora e apresentadora) Mara Maravilha e o programa era o “Mara Maravilha Show”. E eu ia junto com ela, ficava brincando pelos corredores do estúdio... E quando tinha gravação de comercial ou gravação de abertura para o programa, ela me colocava e eu participava de tudo isso. Foi ali, vendo os adultos correndo pra lá e pra cá que vi que gostava de televisão. Cada dia que eu ia lá era diferente, via coisas novas e conhecia pessoas diferentes, gente que na época estava fazendo sucesso.

VITRINE_ E depois da fase infantil?

MAYUMI_ Quando eu estava 14 anos, minha vida começou a mudar. Enquanto minhas amigas tinham a rotina de ir pra escola, voltar e fazer outras coisas, eu estava trabalhando na televisão, fazia parte do elenco do programa da Mara, era uma das “Maravilhas” (risos). Então saia da escola e ia correndo, almoçava no carro a caminho da gravação do programa. Ensaiava três dias por semana e nos finais de semana ia gravar. Viajamos o Brasil inteiro fazendo shows e gravando. Aí, como eu ficava lá o tempo todo, aos poucos ela (a Mara) me colocou pra ajudar na produção.

VITRINE_ Teve uma época que você foi morar nos Estados Unidos. Como aconteceu?

MAYUMI_ Desde criança, eu sempre havia feito aquilo que queria, que era televisão. Fiz estágio, fiz faculdade de rádio e tv, trabalhei com produção. Mas uma hora me deu vontade de ver o que havia fora daquela vida. Aí liguei para o meu chefe, que estava fazendo um programa na Bahia - e eu estava fazendo produção de base em São Paulo -, e disse “olha, arruma alguém pra ficar no meu lugar porque daqui a duas semanas estou indo para os Estados Unidos!” Aí fui pra lá sozinha, ver o que tinha, aprender coisas novas. Fiquei dez meses no total.

Os EUA é um país diferente da realidade que a maioria de nós tem no Japão por exemplo; aqui há empreiteiras e tal, mas lá você tem que ir atrás e procurar trabalho sozinho, conhecer e melhorar no inglês porque as pessoas lá falam rápido. Tinha 23 anos, foi um ótimo aprendizado.

VITRINE_ E agora aqui no Japão, em Tóquio. Correria?

MAYUMI_ É, nos dias mais regulares acordo às oito e vou dormir às duas da manhã. Se tiver uma matéria fora do horário normal, tenho que chegar mais cedo e sair mais tarde, e tem dias que saio do trabalho às três da manhã. Mas é assim, a gente tem que dar um jeitinho brasileiro. Marco para sair com meus amigos com um mês de antecedência até, e mesmo assim sou consciente de que no último momento pode aparecer uma matéria que me fará cancelar tudo. Mas acho que tudo isso é essa coisa de sonho, que tenho aos montes e ainda não cheguei onde quero.

VITRINE_ É aquela hora que a gente tem vontade de soltar um palavrão...

MAYUMI K._ Para trabalhar com isso tem que gostar, ser uma pessoa aberta a trabalhar quando todos estão de folga, a conhecer e respeitar pessoas diferentes de você, saber tratar o outro. É também estar sempre preparado para o inesperado e saber improvisar, porque às vezes você chega num lugar e não é nada daquilo que foi planejado, e você tem que tirar uma história dali.

VITRINE_ Além disso, tem que aparecer bem no vídeo.

MAYUMI_ É, mas não dá pra se apegar muito à vaidade. Tenho a minha, mas não é extrema. Hoje em dia me vejo e reparo no meu cabelo, na minha pronúncia. Quando vejo as matérias que eu apresentava no começo acho tudo horrível, mas vamos aprendendo com os erros e buscando a melhora. Me lembro que um dia estávamos gravando uma matéria para a TV Globo, era o terceiro dia de gravação para uma matéria que iria durar 3 ou 4 minutos. E no último dia eu não conseguia fazer o stand-up. Ventava muito, tinha gente obstruindo o ângulo da câmera, o relógio correndo e eu nervosa e errando. Pensei “chega, não dá mais pra melhorar.” Voltei para a edição me sentindo um lixo - por quê não conseguia falar aquelas poucas frases? Não havia justificativa. Aí olhamos a fita e encontramos um stand-up ótimo. Não sei por quê, mas na hora achei que estava uma droga.

VITRINE_ E o que mais dificulta hoje a busca pela qualidade do seu trabalho?

MAYUMI_ A falta de tempo. Se eu pudesse, esticaria o dia para 48 horas para poder fazer melhor.

VITRINE_ O programa tem um blog onde você e o Renato contam um pouco dos bastidores das produções. Como é comunicar-se com as pessoas que te acompanham?

MAYUMI_ Quando eu era criança recebia muitas cartas e respondia direitinho cada uma, aliás as guardo comigo até hoje. E agora há a internet, onde as pessoas deixam comentários ou me escrevem e-mails com suas opiniões, mas o que eu mais gosto é de encontrar as pessoas. É legal, às vezes vêm uns rapazes e dizem “minha mãe gosta de você” (risos)... crianças também vêm falar comigo. E aí a gente vê que essa correria toda está fazendo alguma diferença. Quando isso acontece eu ganho o meu dia.

VITRINE_ Entre aventuras e, consequentemente, alguns micos, tem alguma reportagem que foi especial para você?

MAYUMI_ Muitas! Uma vez mostramos um rapaz que havia perdido o emprego por causa da crise e começou a recolher latinhas na rua. Ia recolhendo as latas nas ruas vestido de camisa e gravata, porque não queria que as pessoas o vissem de má forma, que tivessem medo dele. Tudo o que ele queria era trabalhar para acabar de construir o salão de cabeleireiro que ele tinha no Brasil. Então, vemos que não existe sonho que não possa ser alcançado e nem sacrifício que seja por nada. Esses personagens reais do Planeta Brasil me ensinaram isso, que é preciso fazer valer a pena o fato de estarmos aqui, não ser engolido pela correria e pelas desilusões, não deixar que as condições atropelem a sua essência e quem você é. E com o programa queremos estar cada vez mais perto das pessoas. Me deixa triste ver pessoas vivendo suas vidas sem acreditarem em si mesmas.

VITRINE_ Pergunta importante: casada, solteira ou enrolada?

MAYUMI_ (Risos) Digamos que, no momento, estou solteira.

VITRINE_ No Planeta fala-se muito de saudades. Você tem saudade de quê?

MAYUMI_ (Pausa) Tenho saudades de acordar com meu pai assoviando. Quando morávamos todos juntos ele acordava às seis da manhã, preparava um banquete maravilhoso e ficava assoviando para que a gente acordasse. E sentir saudades para mim é algo positivo. São essas pequenas coisas do cotidiano que me deixam mais feliz; quando estou cansada e alguém me faz sorrir, quando a semana termina e consigo entregar o programa. Saio pela rua aos pulos.

O Planeta Brasil Edição Japão vai ao ar todos os sábados às 19h55 pela IPCTV/Globo Internacional


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