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Cedida/ipcdigital.com
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O Hongwanji International Center, em Kyoto, é um dos endereços com atendimento em português
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Assim como os hábitos alimentares, costumes sociais e tradições culturais, as religiões sempre migraram junto com os povos que a praticam.
O Budismo chegou ao Brasil por meio dos imigrantes japoneses que, com o objetivo de manter as cerimônias funerais e comemorativas, levaram a tradição ao país. Como toda mudança requer adaptações, a chegada da religião criou a necessidade de que os ensinamentos fossem transmitidos em português. Só assim poderiam ser acompanhadas pelos nisseis e sanseis que deixavam de aprender a língua japonesa. Com o tempo, o budismo começou a ser difundido também fora da comunidade nipo-brasileira e ganhou adeptos não-descendentes. Assim, os monges precisaram se tornar aptos a instruir os novos integrantes em português.
Quando o caminho inverso foi feito pelos nikkeis, essa preocupação foi transferida para o Japão. Hoje, os templos buscam oferecer cerimônias, palestras e informativos em diversos idiomas, como inglês, espanhol e agora o português.
O Templo Howganji, a linha budista tradicional que possui maior número de adeptos no Brasil, somando 50 mil membros registrados, e que conta com 50 templos no país, deu início a uma grande série de programas e atividades para acolher esses brasileiros e sul-americanos que procuram orientação e a manutenção das práticas religiosas da família.
Panfletos, livros para iniciação na filosofia budista, o livro de ofício (necessário para o acompanhamento das práticas) e outros materiais são disponibilizados em portguês para aqueles que querem seguir a religião e para que novos interessados saibam como ingressar na doutrina.Cursos sobre Budismo e Jodo Shinshu, a escola Terra Pura na tradução para o português, também estão sendo ministrados em várias partes do Japão.
Além disso, um curso virtual do Budismo, ainda em fase de idealização, está sendo preparado, mas a previsão de lançamento é para daqui a três anos.
Os templos onde esse tipo de atendimento é oferecido são dirigidos por ex-missionários na América do Sul, e geralmente estão localizados nas províncias onde há maior concentração dos brasileiros.
O templo de Nagoya, por exemplo, já faz o folheto informativo em português. Yokohama, Kawasaki, Shizuoka, Fukuoka, Shiga, Fukui e Nagasaki são outras regiões onde o atendimento aos brasileiros em português é possível. Além disso, a sede em Kyoto oferece auxílio em espanhol, inglês e chinês.
Os templos são abertos ao público em geral, mesmo aos que ainda não são adeptos do budismo, mas grande parte da comunidade brasileira ainda desconhece as atividades realizadas no local. Além dos ofícios do Ano Novo e da Passagem de Ano, Higan da primavera e de outono (em março e setembro, respectivamente) e Ofício do Obon (dia de finados), existem muitas outras celebrações para as quais pretende-se atrair mais brasileiros.
Outras atividades também são organizadas pelas diversas organizações dentro da escola Hongwanji, como a Escola Dharma para crianças, Grupo de escoteiros, Associação das Mulheres, Associação Sênior e de Jovens.
Iniciação
O projeto também prevê que mais brasileiros tomem conhecimento dos princípios da religião e possam, talvez, ingressar nela.
O objetivo do budismo é a libertação do indivíduo de todos os sofrimentos humanos, como nascer, envelhecer, adoecer e morrer. Os ensinamentos levariam o indivíduo a tornar-se buda, ou seja, ser despertado da ignorância. Segundo o reverendo do Hongwanji International Center, Kyoya Imai, "budismo não é apenas a pregação do Buda, mas ensinamentos para seguir seu caminho a fim de que nos tornemos buda".
Para tanto, a filosofia budista busca no interior da pessoa as razões para o sofrimento, para que seja possível extinguí-lo. "Para isso é preciso a prática dos ensinamentos, pois entender as razões intelectualmente não resolve", diz Imai.
O budismo possui dezenas de ramificações. Algumas linhas exigem práticas mais severas, geralmente restrita a monges, (ficar sem dormir, beber somente água por 10 dias), tudo para atingir o limite da condição humana e eliminá-la.
O Jodo Shinshu, ou escola da Terra Pura, à qual pertence Hongwanji não exige nenhum sacrifício ou privação dos seguidores e, por isso, talvez seja a mais popular entre os brasileiros. "É o budismo para as pessoas comuns, dentro da cidade, para acompanhar o cotidiano. Não é preciso renunciar ao mundo nem iniciar a vida monástica. Mas as pessoas ainda recebem o chamado do Buda", diz Imai.
A religião foi a que mais despertou identificação com Marilza Takada, moradora de Nagano. "O Budismo tem como base o princípio da causa e consequência não só nessa vida. A partir disso que comecei a achar que era a religião que mais tem a ver com o que eu penso", diz. Outro ponto que ela destaca é que não há uma imposição da fé, como nas religiões que frequentava. "Não tinha lógica dizer que cada coisa ruim que acontecia era por culpa de não frequentar a igreja direito ou por não ter dado o dízimo", explica.
Iniciar-se no Budismo requer um batismo, semelhante à religião católica. A cerimônia é realizada depois que a pessoa aprende alguns ensinamentos da religião por meio de livros introdutórios, folhetos e orientação.
"Para nós, o voto não é necessário. O objetivo das escolas é o mesmo, o caminho que difere. É como subir a montanha: há vários caminhos", diz.
Segundo o censo de 2000, feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no Brasil existem 214.873 budistas, numa população de 169.872.856. Os números não são expressivos, mas superam outras religiões que chegaram ao país ligadas a uma cultura, como judaísmo e islamismo - apesar de ambas requererem características específicas para sua adoção.
:: O que é Budismo? ::
Budismo é o ensinamento da libertação de indivíduo dos sofrimentos (nascimento, envelhecimento, adoecimento, morte, vivência com pessoa desagradável, separação com pessoa amada), alcançado pela prática, meditação, preceitos ou pela fé.
:: Qual a principal diferença entre as principais vertentes do Budismo? ::
O Budismo nasceu no nordeste da Índia, e dividiu-se em Theravada (ortodoxa, dos veteranos) e Mahayana (progressista, significa literalmente "grande veículo"). Theravada, a qual preserva a tradição mais antiga, sem alterar o seu regulamento estabelecido pelo próprio Buda. Mahayana, evoluiu através do movimento dos seguidores leigos, para levar o ensinamento do Buda ao povo. Theravada concentra-se nos preceitos rigorosos para alcançar sua própria Iluminação, não sendo acessível a todos. Mahayana tem o propósito de libertação dos sofrimentos de todas as pessoas, sem discriminar leigos e sacerdotes. O Budismo Mahayana difundiu-se na China, Coréia e no Japão, que hoje é a maior escola budista no norte da Ásia. A linha Theravada foi difundida com mais intensidade no Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Vietnã e Camboja.
:: Quais os preceitos do templo Hongwanji? ::
A escola Jodo Shinshu, fundada pelo Shinran Shonin, tem como objetivo ir de encontro com o chamado do Buda Amida, o salvador. Segundo seus ensinamentos, aquele que confia no chamado (o Voto), não retorna ao mundo da ilusão, assegurando o nascimento na Terra Pura e o alcance da Nirvana (Iluminação). A confiança é o único fator para garantir seu nascimento na Terra Pura (iluminação e desperndimento dos sofrimentos). Por não exigir renúncias ao mundo, Jodo Shinshu (Terra Pura) se desenvolveu entre os leigos, permitindo-se manter a vida de leigo, sem distinções entre homem e mulher, jovem e velho. Os preceitos básicos budistas são mantidos e respeitados, mas o descumprimento não impede o acesso em receber o chamado do Buda. Receber o chamado do Buda é incondicional.