Poucas são as pessoas que associam de imediato o nascimento de uma criança com as despesas que os pais terão até o ingresso do filho em uma universidade.
No Japão esse pensamento não é unânime, até comum. Os pais japoneses costumam traçar metas e fazer planejamentos de uma poupança que possa cobrir os gastos com a educação do filho, pelo menos até a faculdade. Alguns bancos, o correio e seguradoras oferecem planos de poupança para quem quer investir na educação dos filhos, medida aconselhável para as pessoas com dificuldades em poupar dinheiro. Apesar da estabilidade da economia japonesa, arcar com as despesas de um filho durante a faculdade não é tarefa fácil.
Segundo uma pesquisa realizada no ano passado pela National Life Corporation, instituição financeira do governo japonês, gasta-se cerca de ¥ 850 mil por ano com despesas desse tipo em uma faculdade pública. Este valor sobe para cerca de ¥ 1,4 milhão se a faculdade for particular. Estão incluídos neste valor os gastos com pagamentos da faculdade, transporte e material.
Mas é preciso considerar que muitos alunos deixam a casa dos pais e passam a morar sozinhos com o intuito de freqüentar a faculdade. A pesquisa revelou que as famílias com este perfil somam mais de 40%. Para estes pais, interessa não só os despesas com matrícula da faculdade e, posteriormente, o pagamento das mensalidades, mas também devem incluir no investimento do filho os valores referentes a luvas, aluguel do imóvel etc. Também, segundo mostrou o levantamento, despesas "extra-curriculares" podem alcançar a marca dos ¥ 430 mil com apenas um único filho.
Para tanto é dispensável dizer que um bom planejamento e economia doméstica representam um primeiro passo para a levar o filho para a faculdade.
:: Empréstimo ::
Outra forma de amenizar os gastos com a faculdade é conseguir um empréstimo. A Organização de Apoio aos Estudantes no Japão (Jasso, da sigla em inglês) oferece programas de bolsas patrocinados pelo governo. Na verdade, trata-se de uma espécie de empréstimo para quem tem dificuldades financeiras em arcar com o gasto dos estudos em uma universidade. Mas é importante saber que o valor oferecido pelo Jasso não cobre o valor integral dos gastos. O valor também vai depender se o universitário vive com os pais ou sozinho.
O aluno que vive sozinho, por exemplo, e estuda em uma faculdade pública, recebe ¥ 51 mil. Se ele morar com os pais, esse valor cai para ¥ 45 mil. Caso a faculdade seja particular, o aluno que mora com os pais receberá ¥ 54 mil e o que mora sozinho receberá ¥ 10 mil a mais. Além disso, como se trata de um empréstimo, no momento da inscrição, o aluno assume o compromisso de devolver o valor recebido durante todo o curso. Esse valor pode ser parcelado e deve começar a ser pago assim que o formando começar a trabalhar.
O dinheiro devolvido contribui para a continuidade do sistema, já que quem recebe a "bolsa-empréstimo" é beneficiado pela restituição do empréstimo feito à Jasso por quem já se formou. Caso o acordo não seja cumprido, uma empresa de cobrança se encarregará de exigir o pagamento, inclusive com a visita de um cobrador. A inadimplência também pode parar na Justiça, e nesse caso o ex-aluno corre o risco de ser obrigado a pagar tudo de uma só vez. Em último caso, o salário ou os bens do devedor podem ser confiscados.
Estrangeiros com visto permanente, cônjuge ou filhos de pessoas com esse status também têm direito a requerer essa modalidade de empréstimo. Independente da nacionalidade, a Jasso aplica uma avaliação do pedido levando em conta o histórico escolar, situação financeira da família, saúde e caráter do candidato. Após a avaliação, há casos em que o pedido são recusados.
Dependendo do plano, pode haver isenção de juros ou cobrança de uma taxa de até 3% sobre o valor da bolsa. Mais informações, em inglês e espanhol podem ser obtidas no site da Jasso.
(www.jasso.go.jp/shougakukin/index.html)