Ensino superior


Publicado em  24/07/2007 15:49

Universidades japonesas recebem brasileiros

A língua e a dificuldade de conciliar estudo e trabalho não desanimam brasileiros que chegaram lá

Tokai , Shizuoka , Hamamatsu - Osny Arashiro/ipcdigital.com

O caminho até a universidade japonesa é longo, mas não é impossível. Ainda são poucos aqueles que seguem o ensino superior no Japão. No entanto, eles provam que a vontade de estudar abre portas e caminhos. 

Aos 16 anos de idade, quando Rodney Kenishi de Freitas chegou ao Japão, havia estudado até a sétima série no Brasil e nada sabia do idioma japonês. Mesmo assim matriculou-se no último ano do kookoo e, ao se formar, foi recomendado por alguns dos seus professores a ingressar na Universidade Hamamatsu Gakuin, de Hamamatsu (Shizuoka).

O teste de aprovação foi consistuído de uma hora de entrevista em japonês e meia hora no idioma inglês, além de redação em cada um desses idiomas. Rodney reconhece que não fez uma redação perfeita, mas os examinadores compreenderam o que ele pretendeu transmitir e assim aprovaram o brasileiro, que atualmente cursa Administração de Empresas e Línguas.

Após aprovado, teve início outra etapa difícil na vida estudantil de Rodney: a matrícula no valor de ¥ 780 mil. "Essa é a parte angustiante que faz com que muitos desistam na metade do caminho. E o pagamento deve ser à vista", informa. "Depois, a cada semestre, devo pagar o valor de ¥ 480 mil. Nem se eu fizesse arubaito conseguiria reunir esse dinheiro a cada semestre", reconhece.

A solução foi recorrer a uma bolsa de estudos. "O estudante deve conversar com a diretoria da universidade que vai freqüentar, pois cada uma tem seus critérios próprios para conceder bolsas aos seus alunos", diz Rodney que obteve uma bolsa no valor de ¥ 320 mil por semestre, o que ajuda muito. O restante, ¥ 160 mil, é completado pelos pais operários e também pelos irmãos.

"Os custos financeiros são difíceis para todo estudante universitário, porém, mais difícil ainda são as pessoas que vivem nos países pobres como na África, por exemplo. Para eles a vida é difícil e sem nenhuma oportunidade. Mas aqui no Japão as oportunidades existem e devemos lutar para aproveitar essas chances", afirma Rodney.  "Aprendi com meus pais a ser persistente e ter ambição. Dificuldades na vida sempre vão surgir, portanto, sempre comparei meus problemas com o de outras pessoas e chego à conclusão que os delas são piores do que os meus", completa.

Hoje, aos 23 anos, foi-se o tempo em que Rodney frequentava o kookoo sem entender nada das aulas de matemática, ciências ou biologia. Foi preciso aprender o idioma japonês por esforço próprio sempre aproveitando o tempo que alguns dos seus professores lhe dedicavam a ensinar alguns kanji, hiragana e palavras básicas. "Não tive nenhum intérprete para me acompanhar naquela época e ainda hoje sinto alguma dificuldade, pois reconheço que não domino perfeitamente o idioma". 

"Na minha universidade vejo senhores de 50 anos ou mais estudando. Certamente devem ter família e com problemas para resolver, então comparo com minhas dificuldades e vejo que são pequenas diante desse pessoal esforçado e isso me incentiva a prosseguir nos estudos", diz.


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