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Até agora, a balança pesava mais sobre os peixes por razões culturais e históricas, que estabeleciam o Japão como um dos principais consumidores de peixe do mundo
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Por Juan Palop
O Japão está a ponto de passar pela maior revolução de sua história em questão de hábito alimentar, talvez ainda este ano, quando pela primeira vez a quantidade de carne consumida nos lares superará a de peixes.
As razões, segundo dados divulgados no dia 23 pelo governo japonês, são a falta de tempo, e o preço e o fato de cada vez mais os japoneses comerem fora de casa.
Até agora, a balança pesava mais sobre os peixes por razões culturais e históricas, que estabeleciam o Japão como um dos principais consumidores de peixe do mundo, diante dos outros países mais desenvolvidos.
Mas a carne pouco a pouco encurta a distância com o peixe, principalmente desde o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e, no ano passado pela primeira vez, os dois pratos da balança se situaram na mesma altura.
Segundo o Livro Branco da Pesca de 2006 publicado no dia 23 pelo governo, o volume per capita do pescado consumido nos lares japoneses em 2005 caiu levemente comparado ao ano anterior, situando-se acima dos 13 quilos.
Por sua vez, a quantidade de carne consumida por cada pessoa durante esse mesmo período subiu nos últimos anos e se situou também em 13 quilos, obtendo um empate técnico com os produtos do mar.
Há meio século, na década de 60, a situação era bem diferente, pois frente aos 16 quilos de frutos do mar que cada pessoa consumia no lar por ano, só eram consumidos 6 quilos de carne.
A transição alimentar japonesa é curiosa, principalmente quando se comparam esses dados com os dos Estados Unidos, Europa ou China, onde cresce o consumo do pescado devido a razões de saúde.
O documento publicado no dia 23 argumenta que as principais causas que explicam essa mudança da tendência são o aumento geral dos preços do pescado e a maior facilidade para preparar pratos com carne, pois cada vez mais as famílias japonesas têm menos tempo disponível desde que a mulher japonesa se incorporou de forma generalizada no mercado de trabalho.
Assim, segundo as estatística oficiais, o hábito de comer fora de casa disparou nas últimas décadas, representando cerca de 17% do total da alimentação, frente aos 7% em meados de 60.
Além disso, a porcentagem de comida pronta cresceu bastante, situando-se acima de 11%, quando há 50 anos representava menos de 3%.
Outro dado que indica a transformação da cadeia alimentícia japonesa: a proporção de arroz sobre o total de comida caiu de 16% em 1965 para 4% atualmente.
O governo japonês advertiu através do Livro Branco sobre os riscos dessas novas tendências alimentares para a saúde, pois uma dieta rica em produtos do mar contém elementos básicos que não estão presentes nos produtos de carne.
Essa transformação no gosto alimentar pode ter também uma importante repercussão econômica, pois o Japão conta com a maior frota pesqueira do mundo e mais de 231 mil pescadores em atividade.
Além disso, o Japão é o sexto maior exportador de produtos do mar do mundo, com 1% das vendas mundiais em 2003 em termos de valor, e o maior importador do mundo, com mais de 18% do total mundial.
Por isso, o Livro Branco propõe combater essa tendência através de várias formas e pretende diversificar as redes de distribuição e comercialização, assim como prevê um aumento da pesca para estabilizar os preços.
Mas, talvez hoje, talvez amanhã, uma família japonesa decida jantar um filé de carne ao invés de um sashimi de atum ou salmão, e então, a balança cairá sem dó em favor da carne.