|
Kunihiro Otsuka/ipcdigital.com
|
|
Seção de vegetais pequenos na loja de departamentos Takashimaya, em Tokyo
|
|
|
Ser compacto é uma qualidade importante para câmera digital e outros produtos industriais no Japão. Mas não é só neste ramo que o tamanho pequeno é valorizado. Até no mercado de alimentos há gente que prefere produtos menores. Hortaliças pequenas como abóbora e couve-flor que cabem na palma da mão, e nabo, pepino e cenoura curtos, tornaram-se a nova opção de compra dos consumidores que procuram adquirir porção certa de alimentos para não deixar sobrar.
Não se trata de legumes e verduras colhidos antes do amadurecimento. São espécies desenvolvidas para não crescerem muito. Em termo de valor por peso, as hortaliças pequenas podem custar mais caro, em comparação com os produtos em tamanho normal. Mesmo assim, há vantagens que atraem tanto os produtores quanto os consumidores. Uma delas é a praticidade. Nas prateleiras japonesas, é comum encontrar acelga e abóbora cortadas para os que não querem comprá-las inteiras. As espécies nanicas podem substituir essas hortaliças em pedaços que precisam ser consumidas rapidamente para não perder os valores nutritivos e não estragar.
Quem afirma é Ichiro Awano, do Setor de Publicidade da Sakata Seed Corporation, a maior produtora de sementes e mudas do Japão. "Além de caber facilmente nas sacolas de supermercado, os produtos menores geram menos lixo orgânico, que é um grande problema nos lares japoneses hoje", emenda.
Colheita fácil
Para os produtores, uma das grandes vantagens é o tempo curto do processo desde o plantio até a colheita, o que reduz os problemas de controle de praga e doença. Por serem leves e menores, o trabalho de colheita também é mais fácil. "Essas hortaliças são bem recebidas no setor agrícola, no qual tem aumentado o número de produtores idosos. A colheita de verduras e legumes grandes é muito pesada para eles", conta Awano. Segundo ele, quem vende as hortaliças pequenas também leva vantagem. "Elas deixam as prateleiras mais diversificadas sem ocupar muito espaço". E nem geram custos adicionais com a mão-de-obra para cortar e embalar, como no caso dos alimentos vendidos em pedaços.
As hortaliças em tamanho reduzido não são novidade, se levar em consideração que rabanete e outros vegetais do gênero são encontrados no mercado há muito tempo. Entre as 76 espécies comercializadas pela Sakata Seed, há produtos como baby carrot (cenoura nanica) que foi lançada na década de 70. Mas a procura por elas aumentou nos últimos anos. A venda de sementes de hortaliças pequenas da Sakata Seed aumentou 78% de junho de 2000 a maio de 2003 e vem mantendo o mesmo nível de crescimento.
A variedade dos produtos do gênero também tem crescido com a participação das outras produtoras e, segundo Awano, essa tendência deve continuar. "Não só por causa do aumento do número de pessoas que vivem sozinhas ou casais sem filhos. Entre sete milhões de trabalhadores que estão prestes a se aposentar, há muitos que têm interesse de cultivar esse tipo de verduras e legumes na horta caseira. Acredito que deve crescer a venda de sementes e mudas entre eles", prevê.
Vende, mas nem tanto
As hortaliças pequenas aparecem bastante na mídia, geralmente associadas mais à questão do aumento da população que vive sozinha. Ninguém nega que há procura por elas, mas não é de causar grande impacto no mercado, nem existem dados específicos referentes só aos produtos pequenos. "A venda de alguns itens, como aspargo e tomate em tamanho reduzido, realmente vem crescendo, mas não chegou a dar um salto", conta Aiichiro Yamaguchi, do Setor de Relações Públicas da rede de supermercados Daiei.
Nas lojas da rede Aeon, a situação é semelhante. Exceto as abóboras pequenas, não há outros produtos do gênero que têm registrado crescimento notável de vendas, segundo Kaori Watanabe, do Setor de Comunicação da empresa. "Procuramos atender o gosto variado da clientela, mas não temos serviço especialmente pensado para público que prepara refeição individual", diz.
Ainda é raro o exemplo como o shopping Takashimaya, de Shinjuku, que dedica um canto reservado somente para hortaliças pequenas na seção de alimentos. "Elas fazem sucesso entre mulheres trabalhadoras e donas-de-casa idosas, que preferem levar quantidade certa de comida para não deixar sobrar", explica Takeshi Morinaka, do Setor de Relações Públicas do shopping. Os legumes e verduras menores saem mais caro do que os normais, mas hoje não há tanta diferença. Segundo ele, esse público até prefere pagar um pouco mais do que desperdiçar a comida. No Takashimaya de Shinjuku, um repolho pequeno custa ¥ 130 e um normal, ¥ 150. Uma abóbora do tamanho da palma da mão sai por ¥ 200 e uma grande, de ¥ 400 a ¥ 500.