Sintomas


Publicado em  15/04/2008 21:15

Doação de medulas ósseas no Japão salva brasileiros

Conscientização sobre a doença resgata muitos doentes à vida

Tokai , Aichi , Nagoya

Cedida/ipcdigital.com
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Marina Sawada (esq.), de Mie, descobriu há quatro anos que estava com leucemia, mas superou a doença graças a um doador

Hoje, 1.358 pessoas no Japão estão à espera de um doador de medula óssea, entre eles alguns brasileiros, como Marina Sawada, residente em Miwa, na cidade de Tsu (Mie).

Há quatro anos, ela descobriu que estava com leucemia. "Descobri por acaso, quando fui levar minha filha ao médico. Fiz o exame de sangue e acusou excesso de glóbulos brancos. Um pouco antes tive febre e hematomas, mas não pensei que fosse algo sério", disse Marina em entrevista ao Jornal IPC. A brasileira teve a sorte de encontrar um doador há dois anos e meio.

A medula óssea, popularmente conhecida como tutano, é um tecido localizado no interior do osso, responsável pela produção das células sanguíneas. O mal funcionamento desse sistema provoca doenças como a leucemia e em alguns casos só pode ser contida com transplante.

Geralmente a compatibilidade entre doador e receptor é maior entre irmãos (cerca de 25%). No caso de Marina, teve que recorrer ao banco de doadores.

"Muitos pacientes buscam doadores até no exterior", explica Hidehiko Okubo, do Banco de Medula Óssea do Japão. "Nesse caso, o médico precisa entrar em contato com o banco. O doador também pode ser encontrado entre pessoas do mesmo grupo étnico", afirma Okubo.

A busca por doadores mobiliza brasileiros no Japão. Aline Takahashi, de Suzuka (Mie), lidera uma campanha para ajudar um amigo no Brasil que sofre de leucemia. "O Alexandre já perdeu um irmão por causa da doença", diz Aline sobre o amigo, ao explicar que o médico acredita ser mais fácil encontrar um doador compatível entre nikkeis.


DO JAPÃO PARA O BRASIL

O banco de doadores do Japão tem cerca de 30 mil voluntários cadastrados, mas poucos são compatíveis com os pacientes à espera de doações.

O cadastro é simples. O doador, que faz um exame de sangue e deixa os dados ficam registrados no banco de medulas, só é chamado em caso de compatibilidade.

Os médicos retiram cerca de 1 litro da medula dos ossos da bacia, em um processo que demora no máximo duas horas e, três dias depois o doador recebe alta.

O doador precisa preencher alguns requisitos, como ter entre 18 e 54 anos, ser saudável e não ter recebido transfusão de sangue. "Também há limite de peso. O homem deve ter mais de 45 quilos e a mulher, mais de 40 quilos", informa Okubo. Para evitar possíveis desistências - uma vez que a quimioterapia destrói a medula óssea do receptor - a autorização de doação deve ser assinada também pelo cônjuge ou familiares.

Até o ano passado, o Japão realizou 164 doações ao exterior, com a Coréia do Sul como principal destino. Duas delas foram para o Brasil.

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