Através da reconstrução dos fios partidos da memória, este estudo busca alargar o entendimento das motivações invisíveis que perpassam a emigração dos chamados trabalhadores dekassegui, ao Japão.
Mediante o uso da história oral, foram incorporadas à análise sociológica, além das falas dos trabalhadores em idade produtiva, as percepções e representações de duas gerações (issei e nissei) de mulheres idosas de famílias nipo-brasileiras, além do relato de um único entrevistado idoso.
As análises dos relatos orais, ordenadas segundo as estações do ano, permitiram conhecer os condicionantes históricos e a imagem idealizada, que estruturam a partida de trabalhadores nikkeis rumo ao país de seus antepassados.
Por trás do mito do “retorno” oculta-se uma realidade de intensa exploração e desenraizamento. Neste contexto, a memória e a identidade articulam-se dialeticamente à formulação de um reenraizamento, um projeto alternativo ao caminho proposto pela ordem neoliberal.
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