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Publicado em  18/10/2010 17:13

Jovens universitários brasileiros nas linhas de produção japonesas: uma contribuição ao estudo do fenômeno migratório entre o Brasil e o Japão (1908-2008)

Autor: William Kyoshi Fugii

Brasil / USP


1USP

A partir de meados da década de 1980, teve início o fluxo migratório de nipobrasileiros para o Japão, que ficou conhecido como Movimento Dekasegui. A gênese desse movimento no período mencionado está relacionada, entre outros aspectos, à realidade sócio-econômica diferenciada entre os dois países.

O Brasil sentia de maneira profunda os impactos da crise mundial do sistema capitalista iniciada na década de 70 que, entre outros efeitos, aumentou significativamente a taxa de desemprego no país.

O Japão, berço das inovações tecnológicas correspondentes ao período pós-fordista, via seu desenvolvimento econômico comprometido pela falta de mão-de-obra para suas indústrias em expansão.

Houve, portanto, um encontro de interesses entre as partes que culminou com o início do movimento. A reforma da Lei de Imigração do Japão de 1990, que passa a autorizar descendentes dos imigrantes japoneses até a segunda geração, ou seja, os niseis e sanseis (e seus cônjuges) a ingressarem legalmente no país para trabalhar, abre caminho para o vertiginoso crescimento do movimento, atualmente representado por cerca de 350.000 brasileiros trabalhando no Japão.

No final da década de 1990, contudo, o movimento dekasegui apresenta sinais de enfraquecimento, devido à redução dos ingressantes no mesmo. Em outras palavras, parece que os nipo-brasileiros suscetíveis à experiência imigratória no Japão estavam se esgotando.

Nesse contexto, passamos a visualizar as estratégias das empresas contratadoras para atrair um novo segmento da comunidade nipo-brasileira, até então pouco envolvido no movimento: os jovens universitários. Sob a fachada de programa de férias, estágio ou algo parecido, a inserção desses jovens no movimento dekasegui tem crescido a cada dia, revelando uma das especificidades do fenômeno dekasegui, que são as constantes transformações em sua dinâmica.

Para a compreensão dessa dinâmica, contudo, passamos a reconhecer principalmente a partir da realização de pesquisa de campo no Japão em julho de 2006 que além das motivações econômicas e macro-estruturais do movimento, existem também as motivações subjetivas dos imigrantes nipo-brasileiros, pois tratase de imigrar para o país dos antepassados. Ou seja, existem elementos subjetivos simbólicos, afetivos e identitários dos nipo-brasileiros envolvidos nesse movimento que, entre outros aspectos, têm legitimado a aceitação resignada de postos de trabalho sujos, perigosos e pesados por esses trabalhadores.

Baixe o trabalho aqui.


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