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/ Alexander Kanashiro/IPC
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Cerca de 1200 brasileiros participaram da quinta edição do encontro que acontece a cada cinco anos
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Com cinco dias de eventos e comemorações, Okinawa recebeu aproximadamente 6.000 descendentes vindos de 23 países para o V Festival Mundial Uchinanchu realizado de 12 a 16 de outubro. Cerca de 1200 brasileiros participaram desta edição do encontro que acontece a cada cinco anos com o objetivo de aproximar gerações de okinawanos de suas raízes e famílias de origem.
As celebrações começaram no dia 12, com um desfile de delegações uniformizadas com trajes e adereços de seus respectivos países pelas principais ruas da capital Naha, como a Avenida Kokusai Dori. Os brasileiros marcharam ao som de samba ao lado de passistas. A abertura oficial aconteceu no dia 13, no Okinawa Cellular Stadium iniciada pela mensagem “Uchinanchus do mundo, bem-vindos de volta à sua terra”.
Na ocasião, o governador Hirokazu Nakaima afirmou que os imigrantes que partiram para os cinco continentes e seus descentes representam um tesouro para ilha. “Estamos orgulhosos de vocês”, discursou.
São vários os motivos para a calorosa acolhida. Naoya Akamine, conselheiro do Departamento de Promoção Internacional da província, explica que Okinawa tem um sentimento de profunda gratidão em relação aos seus imigrantes. Não apenas por divulgarem a cultura da ilha mundo afora, mas por terem colaborado com a reconstrução da terra natal no pós-guerra.
“No passado, no ápice do movimento migratório e principalmente depois da Segunda Guerra Mundial quando Okinawa ficou inteiramente destruída, quase a metade da renda da província vinha de remessas dos okinawanos que migraram para o exterior”, esclarece. “Durante anos muitas famílias compraram comida e sobreviveram graças a essa ajuda. Somos gratos por tudo que fizeram”, completa.
Durante o festival a província preparou uma série de festividades aos participantes. Um bazar mundial com produtos típicos de cada país, exposição de materiais relacionados à imigração okinawana, demonstração de danças tradicionais, artes marciais como karatê e kobudo, torneio internacional de futsal e gateball e feira de negócios fizeram parte da programação oficial.
O encerramento também ocorreu em grande estilo com apresentações de grupos de taiko e show com músicos okinawanos como o grupo Begin, a jovem cantora Natchy que interpretou a música tema do evento “Nirai no Kanata” e artistas que possuem uma relação forte com a província como o nikkei peruano Alberto Shiroma e o japonês Kazufumi Miyazawa, autor da famosa canção “Shima Uta” e que elaborou uma composição exclusiva para o Festival Uchinanchu chamada “Shinkanucha”.
A delegação norte-americana foi a que levou o maior número de participantes ao encontro com 2.898 pessoas, sendo 1060 do Havaí. Do Brasil, foram cerca de 1200 pessoas, três vezes o número de participantes na última edição (2006). O Peru levou a terceira maior comunidade com 325 pessoas, seguido pela Argentina com 275 e Canadá com 164. Nesta edição, Guatemala, Camboja e Nova Caledônia participaram pela primeira vez do evento.
RESGATE DAS ORIGENS
A nissei sul-mato-grossense Irene Satsuko Oshiro, 65, estava emocionada por participar do festival principalmente depois de visitar a cidade de Itoman, terra natal de seu pai. “Não esperava ser recebida dessa maneira por pessoas tão carinhosas”, disse.
O mesmo sentimento foi compartilhado por vários descendentes que estavam na ilha pela primeira vez como o sansei Paulo Augusto Kinjo, 30, que vive na província de Aichi. Acompanhado de parentes brasileiros e okinawanos ele conheceu a cidade de Tomigusuku, berço de seus avós paternos e maternos. O nikkei radicado desde a infância no Japão visitou casa onde seu avô nasceu há quase cem anos e rezou no túmulo milenar que abrange várias gerações de seus antepassados.
Uma experiência única da qual terá recordações para o resto de sua vida. “Em 20 anos de Japão nunca vi nada parecido. É tudo muito diferente, principalmente o valor que eles dão para os imigrantes”, relata Paulo que na viagem também foi tradutor para os tios que vieram ao arquipélago para conhecer Okinawa e membros da família do avô imigrante.
Além da festa de recepção da província, cada cidade e inclusive alguns bairros e vilarejos também se organização para dar as boas vindas aos visitantes.
Nelas, Paulo e Irene participaram de cerimônias repletas de significados. Cada um em sua respectiva cidade de ascendência. Numa delas, os participantes despejaram a bebida típica da região, Awamori, num enorme vaso que foi lacrado e será aberto somente daqui a cinco anos no próximo festival. A bebida é envelhecida para melhorar o sabor e suavidade. Da mesma forma, em alusão à Awamori, após o brinde os participantes reafirmaram o compromisso de manter o vínculo com sua origem que se tornará cada vez mais forte com o passar do tempo.
Em outra celebração, Paulo recebeu de crianças que vivem no bairro onde seu avô nasceu, um colar havaiano de doces. “Nós que somos a geração atual fomos honrados por elas que representam a nova geração e darão continuidade a essa história e a essa ponte, esse laço entre as famílias”, explica.
Irene retornou ao Brasil e Paulo para Aichi com saudades e já pensando no dia em que voltarão para Okinawa, um lugar que para eles vai muito além da beleza da natureza, do calor humano e receptividade de seu povo. Uma terra que não nega a origem para nenhum de seus descendentes. Pelo contrário, se orgulha em ver seu sangue espalhado pelos quatro cantos do planeta e está sempre de braços abertos para receber seus filhos de volta.