|
Osny Arashiro/ipcdigital.com
|
|
Intérpretes da prefeitura de hamamatsu desconhecem quem é o autor da placa que informa sobre a proibição de atravessar naquele local
|
|
|
Ao longo da história, a comunicação entre os homens utilizou os meios próprios da época. A fumaça, o rufar dos tambores, as bandeiras de cores variadas, o romantismo das cartas. Depois, o mundo entrou na era do rádio, do telégrafo, do telegrama, do telefone, da televisão, do fax, do bip (pager). Hoje, estamos na era digital, da comunicação virtual e do telefone celular. Mas as antigas placas de sinalização seguem com futuro garantido. Até agora, não inventaram nada que as substituam. O problema é que erros de português são facilmente encontrados em muitas delas e, em alguns casos, geram até confusão no entendimento.
Nas ruas de Hamamatsu (Shizuoka) muitas placas com inscrições em português tentam passar o recado para os quase 20 mil brasileiros residentes na cidade. Quem passar, por exemplo, em frente à estação de trem JR, na confluência entre o setor de ônibus e táxi, vai estranhar uma enorme placa escrita: NÃO PODE ATRAVESAR. Faltou um "s" na palavra "atravessar".
O International Press foi até a prefeitura de Hamamatsu para verificar quem seria o responsável pela grafia da placa. As intérpretes brasileiras Yumi Shimabukuro e Yumi Ishii, que trabalham na Divisão de Relações Internacionais, desconhecem o autor da mesma. "Não sabemos quem fez a inscrição", disseram. "Nossa tarefa é emitir os boletins públicos. Após a tradução, revisamos o texto e reduzimos os prováveis erros de ortografia", esclarecem.
Muitos organizadores de eventos para a comunidade internacional de Hamamatsu vão até à prefeitura e deixam seus folhetos sobre o balcão. Invariavelmente, esses folhetos apresentam erros gramaticais. É o caso de um folheto que divulgava uma inaguração no dia 3 de abril, porém, a palavra inauguração estava escrita de forma ininteligível: INAGUEACÃO.
Outro exemplo é um folheto que apresenta pelo menos 15 erros ortográficos e gramaticais, entre os quais: PRODUCTOS (produtos) FEITOS A MÃOS (concordância errada e falta crase), PAES(pães), TANGARINAS (tangerinas), AROMATIZANDE (aromatizante), OTROS (outros), APARTIR (a partir) etc. A impressão que fica é que o autor do texto utilizou um tradutor dos muitos que existem na internet, porém poucos confiáveis.
Jogar a culpa no computador é muito comum em se tratando de material impresso. Porém, no caso das placas escritas à mão, o principal "suspeito" é o autor do texto.
Uma loja de brincos no centro de Hamamatsu anuncia o seu produto com uma placa mista: SEJA BEN (bem) VINDO e a palavra PIASU (que vem da palavra em inglês pierce, que significa perfurar). O autor fez uma salada, misturou PI (em hiragana) A (em katakana) SU (em letra romanizada). Na palavra PIRCE também faltou a letra "e" (pierce).
Uma empreiteira de Hamamatsu, que não autorizou ter o nome divulgado, pendurou na frente da loja uma placa em português sofrível: ADMITIMOS: HOMENS E MULHERES PARA TRABLHAR NA RGIÃO DE HAMAMATSU (faltam as vogais "a" em trabalhar e "e" em região).
É possível evitar erros
A promotora Erica Dutra, mais conhecida por DJ Ka, consegue eliminar os erros nos folhetos que encomenda para divulgar seus eventos. Ela passa a idéia do conteúdo para seu designer gráfico, que envia a primeira prova via email. Ela corrige o texto e o devolve ao gráfico, também via email, para que seja providenciada a impressão do folheto.
Os erros mais comuns, segundo Erica, são a falta da cedilha (ç) e falta de acentuação. Porém, ela credita esses erros aos teclados do computador sem o conversor para o português. "Geralmente um designer gráfico que está começando na profissão não adquire os programas necessários para uma correta grafia do idioma português. Mas, se ele pretende seguir carreira e ser competitivo, deve se equipar com os programas essenciais para atender a clientela brasileira", opina.
Letras trocadas
Outras cidades onde existe grande concentração de brasileiros também é possível encontrar placas nessas condições.
No Homi Danchi de Toyota (Aichi), uma placa apresenta a seguinte inscrição: INFORMEM À POLÍCIA AO ENCONTRAREM SETES LIXOS. Até desvendar qual era a mensagem, muitos ficam a pensar quais seriam esses "setes" lixos. Depois concluem que "setes" na verdade significa "estes". A placa pede aos moradores para não jogarem "estes" lixos: eletrodomésticos e outros de grande porte.