| Tokyo, 25 Maio 2012 | ||
| Brasileiros optam por música para afastar estresse | ||
| LAZER | ||
| Tokai - Aichi - Nagoya - / | ||
Um grupo cada vez maior de pessoas tem procurado uma alternativa bastante criativa para driblar o estresse do dia-a-dia no Japão: a música. Um exemplo disso é Camila Machida, 16, de Shinshiro (Aichi), que trabalha numa fábrica de autopeças e estuda piano. "O trabalho estava me deixando bastante estressada mas, nesse ano, eu decidi estudar piano para ver se esquecia um pouco os problemas", revela. Camila também estuda inglês e japonês. "Quando se quer muito alguma coisa a gente acaba arrumando tempo". Através de um panfleto, Adriana Takara, 30, de Toyohashi (Aichi), ficou sabendo de uma escola de música perto de sua casa. "Estava em dúvida entre violino, piano e bateria, mas quando vi o violino nas mãos do professor pensei: é esse mesmo. E se eu escolhesse a bateria o barulho poderia me causar problemas com os vizinhos", lembra ela, que também trabalha numa fábrica de autopeças. "Achava que era meio tarde para aprender, mas decidi encarar esse aprendizado como um desafio". Alexandre Gomes, 34, de Ota (Gunma), estuda bateria há quatro anos. "No começo eu estudava sozinho, com livros e internet. Mas agora eu entrei numa escola japonesa de música em Isesaki". Gomes tem quatro filhos e garante que o trabalho na fábrica, junto com as obrigações de pai não atrapalham os estudos. "Gosto muito e sempre arrumo um tempinho para treinar", afirma. Antes de comprar uma bateria eletrônica, para tocar sem atrapalhar os vizinhos, Gomes estudava com borrachas, sem som, apenas pelo prazer de estudar. "Quando eu chego do trabalho e começo a tocar, me sinto muito mais aliviado e esqueço completamente o cansaço". Formado em violão clássico no Brasil, Renan Nery de Mello, 23, mora há três anos em Kosai (Shizuoka) e trabalha 12 horas diárias numa fábrica de autopeças, mas nem por isso deixou de encarar um novo desafio de estudar canto. "Ainda tenho planos de seguir na música", explica ele, que também estuda fotografia e é surfista nas horas vagas. "O importante é não se acomodar pela falta de tempo, porque isso é uma desculpa para não buscar coisas novas", alfineta. Aos 37 anos, Márcia Cardoso, de Toyohashi (Aichi) pensava que dificilmente realizaria o sonho de aprender cavaquinho. "Infelizmente, a situação financeira nunca me ajudou e ainda tinha que cuidar dos meus três filhos", diz. Márcia trabalha numa oficina de carros com o marido. "Meu serviço é de homem, desmonto carros, lixo e preparo para pintar, e ainda faço a contabilidade da empresa. Mas isso não vai me impedir de dar continuidade nesse estudo", garante. Há dez anos no Japão, Maurício Tomita, 27, já tinha feito aulas de violão em Hamamatsu (Shizuoka), mas parou por falta de tempo. "Vou fazer um esforço para me dedicar". Tomita diz também que o fato de aprender música pode ser uma forma de sair da rotina. "Tudo que se faz de diferente ajuda a fugir da mesmice do dia-a-dia", filosofa ele, que mora a dez minutos de uma escola.
*******Benefícios para todas as idades*******
Fonte: Festival de Música de São Paulo (2005). Tocar instrumentos fortalece e melhora a coordenação motora;] |
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