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Tokyo, 25 Maio 2012
Matsuri: a festa que não é só para ver!
Kanto - Gunma - Oizumi - / Thassia Ohphata/ipcdigital.com
 

Verão no Japão é sinônimo de muita festa e animação. Um das atrações da estação são os festivais populares (matsuri), realizados em todo o país. O clima envolvente e a temporada de férias conquistaram também os brasileiros, que aproveitam a oportunidade para se aproximarem mais da comunidade japonesa.

Muito mais do que espectadores, os estrangeiros podem ajudar a animar a festa e participar das celebrações junto com os japoneses. Os irmãos Rafael, 13, e Gabriel Nobre, 9, de Oizumi (Gunma), participam do festival de verão da cidade desde muito pequenos, há oito anos. Eles aguardam com ansiedade a hora de desfilar no caminhão do bairro, pelas principais ruas da cidade.

Os ensaios, segundo os garotos, também são bastante animados. Pouco antes do festival as crianças que fazem parte do grupo se reúnem, pelo menos duas vezes por semana, para tocar tambor e treinar. "Não é só o ensaio. Há muitas brincadeiras e no final ganhamos doces", conta Gabriel. "Não é difícil tocar tambor. É só ter ritmo", emenda Rafael.

A idéia de participar do festival de verão partiu das próprias crianças, de acordo com a mãe, Sandra, 37. "Morávamos em frente à Prefeitura, onde os carros se reuniam. Tudo aquilo chamava muito a atenção do Rafael. Um dia ele foi convidado a participar e o Gabriel acompanhou".

Para as crianças participarem desses festivais japoneses, basta se filiarem à Associação de Crianças do Centro Comunitário do bairro e pagar uma quantia anual, que varia conforme a região. "No bairro em que moramos, pagamos ¥ 1,5 mil e as crianças podem participar de todas as atividades do ano", revela Sandra.

Segundo ela, no bairro em que vivem, ainda são poucas as crianças brasileiras que participam das atividades promovidas pela associação. "Mesmo que a criança não esteja na escola, ela também pode participar. A associação incentiva muito e dá oportunidade a todas as crianças", explica. A brasileira não participa dos desfiles, mas ajuda na organização. Sandra destaca a integração a festa que não é só para ver como um dos pontos fortes do evento. "É uma oportunidade para o brasileiro conhecer o japonês além do uniforme da fábrica ou da escola e participar e viver a cultura japonesa", justifica.

Vestindo yukata (vestimenta típica no verão), geta (tamancos) e segurando um uchiwa (leque), Teresa Yoshiko Miyajima Matsuoka, 37, de Suzuka (Mie), se passa como uma tradicional japonesa. Ainda mais quando está dançando o bon odori (dança típica para finados) nos festivais populares.

"No Brasil, minha família sempre foi ligada à comunidade japonesa e desde pequena aprendi a dança típica do Japão. Meus pais procuraram nos ensinar as duas culturas e isso foi importante para a minha vida. Quando cheguei ao Japão, a adaptação não foi tão difícil, já que sabia muita coisa dos japoneses", lembra ela que mora no país desde os 17 anos.

Logo em seguida, Teresa encontrou um grupo de japonesas que treinavam os diferentes tipos de danças típicas. "Foi muito interessante aprender com elas. Tanto que já participei de alguns concursos de danças japonesas e ganhei dois torneios", diz orgulhosa.

Mas ela sente muita falta da participação de outras brasileiras. "Nos festivais, o público também pode participar da dança, mas vejo poucas brasileiras se interessando. E isso acontece porque elas dizem que não têm tempo para se integrar, muitas vezes mal conversam com as vizinhas", afirma Teresa.

Para Letícia Ferreira Kobayashi, 32, de Minokamo (Gifu), a vontade de participar de matsuri surgiu logo que chegou ao Japão, há seis anos. "No Brasil, estávamos acostumados a participar de muitas festas e churrascos e estávamos sentindo falta disso. Foi quando fiquei sabendo do matsuri de Minokamo e resolvi levar a minha filha. Foi super divertido e não paramos mais."

As filhas Anariela, 9, e Mahayana, 3, sempre se vestem com as roupas típicas. E a integração com os japoneses deu tão certo que, em 2004, a mãe também se vestiu com yukata. "O interessante é que aprendi a dança e o significado de cada passo", conta. Na opinião dela, os brasileiros não devem estar à margem da sociedade japonesa, precisam se integrar. "Os brasileiros também deveriam se esforçar para aprender a cultura japonesa", aconselha.


PELA PRIMEIRA VEZ - Marco Hiroshi Minaguti, 6, de Oizumi (Gunma), irá participar pela primeira vez do festival da cidade e não vê a hora de tocar tambor no desfile do caminhão do bairro. "Gosto muito dos ensaios. Tocar tambor é divertido", reforça. Desde muito pequeno, Marco acompanha o irmão Bruno Kazuo, 12, que participa dos festivais há seis anos. "Ele ia aos ensaios e subia no caminhão. Sempre tinha muita vontade de participar, mas não podia por causa da idade", explica o pai, Rubens, 53. Bruno também não vê a hora de desfilar neste ano. "Sempre via o festival e achava o desfile e a apresentação de tambores muito interessante", afirma. O pai lembra que foi o próprio filho quem pediu para participar do evento. "Desde quando eram bebês levávamos as crianças para assistir na rua, acho que isso fez com que eles se interessassem e pedissem para também participar", diz Rubens.

O brasileiro lamenta o fato dos demais conterrâneos ainda não terem muito interesse em fazer parte desse tipo de evento. "O grupo de crianças do nosso bairro é grande, mas ainda são poucos brasileiros nos ensaios. Qualquer atividade, seja ela esportiva ou cultural, é importante para podermos integramos com os japoneses", reforça.



VOCÊ SABIA?

  • MIKOSHI
    Traduzido como "templo portátil" é o artigo indispensável em alguns festivais japoneses. Trata-se de um andor, que é carregado pelos participantes do festival. O andor segue pelas ruas do bairro até completar o percurso final numa espécie de procissão.
  • DASHI
    Se escreve com dois ideogramas: "montanha" e "carro". Encontra na própria língua japonesa, outras variantes: yamaboko, hikiyama, maiguruma ou odoriguruma. Sua estrutura se assemelha a dos carros alegóricos, com rodas presas a um chassi, ligadas a uma estrutura, muitas vezes em forma de torre, movida por força humana. A decoração vai variar de acordo com a localização e grandeza do festival.
  • ODORI
    A palavra em português quer dizer "dança" e, como sugere o próprio nome, são festivais onde os participantes celebram cantando e dançando. Um dos mais populares no Japão são festivais de bon odori, celebrado em várias partes do país, a partir do mês de agosto. Um dos festivais do gênero mais prestigiados é o Awa Odori, de Tokushima (Tokushima), que recebe mais de um milhão de turistas anualmente.

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