| Tokyo, 09 Fevereiro 2012 | |
| O Brasil que vive em Danchi | |
| ESPECIAL | |
| Tokai - Aichi - / | |
"Se você pretende escrever uma matéria sobre isso vai precisar de bastante tempo. Os personagens são muitos e a história é longa demais", disparou Manuel Oliveira, 35, um dos mais de 5.500 moradores brasileiros que vivem no conjunto habitacional Homi Danchi, onde está a maior concentração de brasileiros do Japão. Desde 1998 residindo no local, Oliveira tinha toda razão. Para percorrer os 67 prédios, conversar com antigos e novos moradores, síndicos, administradores, comerciantes e até visitantes (como foi o caso de algumas pessoas que estavam no local somente por causa do supermercado brasileiro), a reportagem levou exatos três dias e uma noite para tentar descrever, pelo menos, uma parte dessa que é considerada pelos moradores, "o pedaço mais brasileiro do Japão". O Homi, Hidetoshi Hishinuma, 67, o Karioka, é um dos moradores mais antigos no conjunto habitacional, e muita gente diz que ele é uma espécie de representante informal do conjunto. "Sempre morei no mesmo apartamento esse tempo todo. Quando cheguei aqui a maioria dos moradores era japonesa, mas hoje acredito que os brasileiros já são quase 70%", comenta Hishinuma, que trabalha com transportes, mudanças e turismo. Ele conta que a convivência no Homi Danchi já foi bastante complicada. "Teve uma época em que vivia tendo brigas entre gangues de japoneses e brasileiros aqui dentro mesmo. Outra coisa preocupante era o índice de roubos. Isso fez com que muita gente se mudasse daqui, sobretudo os japoneses", lembra. Segundo Karioka, atualmente a situação está bem mais tranqüila. "O único problema ainda continua sendo o barulho e a questão do lixo, mas nada que se compare com o ambiente de dez anos atrás. Já aconteceu de ter lixo ocupando a vaga de quatro carros, aí chegava alguém mais indignado e colocava fogo em tudo. Era um caos", diz o morador. Apesar de ser chamado de Karioka, Hishinuma nasceu em Araçatuba (SP), mas morou muito tempo no Quem está há quinze anos e não pensa em ir embora tão cedo é Dora Hatanda, 53, ou Dora Star, Comércio familiar Alguns moradores fazem de seus apartamentos o local de trabalho. A reportagem teve acesso a essas moradias que se transformaram em salões de cabeleireiro, centros de estética, lojas de produtos brasileiros e até cartomantes. Do lado de fora, aparentemente, é um apartamento normal. No entanto, ao adentrar no ambiente, a impressão é a mesma de quem está numa simples loja. O espaço alugado por Christiane Moura dos Novos moradores Na época que ainda morava na cidade de Outro que também chegou faz pouco tempo no local é Cleocir Kozlowiski, 30, natural de Araucária (PR). "Lembro que há um ano, quando minha esposa disse sobre esse conjunto, eu pensei que iria conviver somente com japoneses. Mas todos os meus vizinhos são brasileiros". Ao contrário de Silva, o paranaense descendente de poloneses diz que pretende ir embora assim que conquistar seus objetivos. "Apesar de estar bem em Uma grande cidade Uma das coisas que mais atrai a atenção de quem visita o Homi Danchi é o comércio que se estabeleceu no local. De olho na clientela brasileira, a "cidade" possui agência de correio, churrascaria, loja de produtos brasileiros, academia, quadra de esportes, escola de música, locadora, padaria, lanchonete, salão de beleza, agência de turismo, supermercado, creche e até escola bilíngüe (português e espanhol).
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