| Tokyo, 25 Maio 2012 | |
| Brasileiros participam de desfile de Natal nas montanhas de Gifu | |
| INTEGRAÇÃO | |
| Japão - Gifu - Yaotsu - / | |
Desde 2000, um morador de Yaotsu, Gifu, comemora a chegada do Natal com um tradicional desfile de carros alegóricos pelas montanhas da cidade. A cada ano a “Christmas Parade” bate recorde de participantes vindos de todas as partes do Japão. Na décima edição realizada na noite de sábado (18), seis brasileiros da província aceitaram o convite e vestidos de Papai Noel distribuíram doces e levaram a alegria para as crianças e moradores da região. Tudo começou com uma idéia do produtor agrícola Yamada, conhecido como “Yama-chan”. Sua intenção era trazer para a comunidade onde reside uma celebração animada e calorosa da mesma forma como havia observado em viagens ao exterior. Os amigos foram aderindo à iniciativa e a cobertura da mídia japonesa a cada edição trazia mais participantes. Neste ano foram 70, entre adultos, aposentados e estudantes, alguns vindos de Tóquio, Osaka, Chiba, Aichi e Shizuoka que conheceram o evento através da televisão. Em 2009, Hélio Sumiyoshi, diretor da Associação Sete Mares (Sema) que realiza atividades voluntárias visando à integração da comunidade brasileira com os japoneses da província, foi convidado e aceitou a proposta imediatamente. “Era uma coisa inédita. Não acreditei no que estava ouvindo e topei na hora”, lembra o primeiro participante brasileiro do evento. Meses antes da apresentação agricultores transformam tratores e veículos pequenos em carros alegóricos natalinos. Tudo é feito com planejamento e organização para prestigiar os moradores do vilarejo de Fukuchi. Antes do início, os membros se reúnem para ouvir as instruções do líder e fazem um breve aquecimento. O ritual é encerrado com cinco gritos de guerra. “Yama-chan” leva a cerimônia tão a sério que não cede espaço nem para uma entrevista com a mídia. Os moradores já acostumados com o acontecimento esperam em frente às suas casas, mesmo sob o frio quase abaixo de zero, a passagem da comitiva que distribui doces e latas de bebidas. O trajeto tem a duração de duas horas. As crianças, as principais homenageadas da noite, ficam encantadas, aplaudem e abraçam a legião de bons velhinhos. Aldir Soares, 38, foi um dos cinco brasileiros que desfilaram pelo vilarejo e diz que se surpreendeu com a acolhida calorosa de idosos e jovens. “Para falar a verdade, quando coloquei essa roupa senti uma emoção muito forte porque é um personagem que transmite a esperança e felicidade para as pessoas. É ótimo receber o carinho dessa nação que tanto admiro. O que nos distancia é só o idioma”, conta Soares que foi um dos mais requisitados pelos moradores para posar para fotos. Na metade do desfile, a legião faz uma breve parada e recarrega as energias com os pratos típicos do inverno tonjiru e sopa de javali. A continuação da viagem vai até a última casa habitada do vilarejo. “Yama-chan” reúne os participantes, agradece a presença de todos e os convida para a foto oficial. Em seguida, é feita uma confraternização que representa a ceia de natal. No fim, cada pessoa relata o que sentiu ao participar da “Christimas Parade” e é convidada a voltar no ano seguinte. Para Luiz Seki, 47, de Kasugai, Aichi, a experiência “foi inesquecível” e um dos momentos mais marcantes em sua vivência no Japão. “Para o resto da vida vou guardar essa lembrança”, garante. Sayuri Ikenaga, 31, de Minokamo, levou a filha Suzana e se surpreendeu com a importância da visita para a população local. “Achei interessante porque aconteceu no meio do mato, num frio intenso e todo mundo saiu para fora e ficou esperando para nos ver. Acreditava que aqui no Japão não se comemorava o Natal, mas hoje vi que pelo menos aqui, ele é comemorado e com muita festa”, observou. Sumiyoshi promete voltar no natal de 2011, com uma delegação brasileira maior e num veículo próprio adaptado e enfeitado pelo próprio grupo. Para isso já está recrutando novos voluntários para a comitiva de bons velhinhos. “Nessas duas horas não havia diferença de idade, cultura ou nacionalidade. Todos fomos papais noéis levando a solidariedade e o calor humano. Quem vier será bem vindo”, convida. |
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