| Tokyo, 25 Maio 2012 | |
| Jovem brasileira é contratada como professora de inglês em chuugaku | |
| EDUCAÇÃO | |
| Japão - Gifu - Minokamo - / | |
Bruna Harumi Akutsu, 22, de Minokamo, Gifu, está prestes a se formar no curso de línguas estrangeiras da Universidade Gifu Shotoku Gakuen Daigaku, foi recém contratada para lecionar inglês no colégio Karigane Chuugaku de Kariya, Aichi, e é um dos destaques da equipe de softball de sua faculdade. Não fosse a insistência de sua mãe a jovem teria abandonado os estudos para ir em busca de um objetivo comum de boa parte da juventude brasileira de sua geração: desistir da escola para começar a trabalhar e ter a tão esperada independência financeira. “No Japão até o chuugakoo (ensino fundamental) a educação é obrigatória. Mas o kookoo (ensino médio) é opcional. Na época eu preferia começar logo a trabalhar, ter o meu próprio dinheiro e me tornar independente”, revela Bruna que chegou ao Japão com três anos de idade em 1991. A desistência só não se concretizou graças à resistência de sua mãe Elza Akutsu, que através de uma conversa séria de mãe para filha mudou a trajetória da menina. “Enquanto estiver te sustentando com alimentação e moradia você irá me obedecer. Então você vai para o colégio!”, determinou a mãe. Bruna teria duas opções: obedecer a ordem ou sair de casa. Felizmente optou pela primeira e foi matriculada no ensino médio. “Com 15 anos, eles não tem noção do que é o futuro. Na época, o brasileiro ganhava bem e podia comprar o bem material que quisesse. Não havia a noção da importância de uma profissão”, analisa Elza, professora de uma classe de alfabetização de crianças estrangeiras em escolas japonesas da província de Gifu. No ensino médio Bruna conta que passou a se empenhar mais já que diferentemente do ensino fundamental, no médio a aprovação não é automática e o desempenho ruim resulta em reprovação. “Mas só estudava na última hora. Apenas o suficiente para ser aprovada nos exames”, confessa. A idéia de ingressar no ensino superior nem passava pela sua cabeça quando no segundo ano conheceu o trabalho de uma professora pesquisadora da educação de alunos estrangeiros. E, se para avançar ao ensino médio foi necessária a imposição da mãe, desta vez foi a educadora japonesa quem interveio para que Bruna não parasse após a formatura no colégio, mas seguisse para a universidade. “Eu sempre gostei de crianças. Então, ela me convidou para conhecer o seu trabalho que era o mesmo que minha mãe fazia. Acabei me empolgando e decidi por estudar línguas estrangeiras para me tornar professora”, recorda Bruna que foi voluntária no projeto Centro de Apoio Educacional (Caed), que atende crianças estrangeiras com aulas de reforço escolar em Minokamo. Logo no primeiro ano da universidade a estudante foi contemplada com um curso intensivo inglês de duas semanas de duração no Canadá. Escolheu o softball como modalidade esportiva e passou a integrar o time que disputa competições universitárias. Durante os dois primeiros anos de curso, Bruna saia de casa às 6h10, de Minokano e ia até a cidade de Gifu, onde a instituição está situada. A viagem durava cerca de 50 minutos. Lá pegava um ônibus para chegar à universidade em mais 30 minutos. Depois de frequentar as aulas nos períodos matutino e vespertino, participava do treinamento esportivo das 16h30 às 20h30, e retornava para casa às 22h. A rotina desgastante fez a jovem pedir permissão aos pais para se mudar para Gifu. “Gastava muito tempo no trajeto de ida e volta para a faculdade. Morando lá teria mais tempo para estudar e poderia pagar o aluguel fazendo arubaito (trabalho temporário)”, explica. Estudando e trabalhando Bruna diz que aprendeu a valorizar ainda mais o esforço dos pais e para arcar com as despesas do aluguel e manutenção do apartamento chegava a dormir apenas três horas por dia quando trabalhava no período noturno (yakin). “Às vezes trabalhava das 19h às 6h. Chegava de manhã, tomava banho, dormia um pouco e ia para as aulas. Não queria que meus pais gastassem dinheiro comigo”, lembra. Ao longo dos quatro anos de graduação, Bruna consultou frequentemente a professora que lhe motivou no ensino médio pedindo conselhos para melhorar sua formação até atingir o objetivo de dar aulas em escolas japonesas. Em outubro do ano passado prestou concursos públicos para o cargo de professora efetiva nas províncias de Aichi, Osaka e Kanagawa. Sem ser aprovada enviou currículo para as secretarias de educação das cidades de Anjo, Chiryu, Kariya, Okazaki e Toyota pessoalmente. Após passar por entrevista e teste de redação foi aprovada para trabalhar a partir de abril deste ano no colégio Karigane Chuugakoo de Kariya, escola que possui muitos alunos estrangeiros, a maioria filipina e brasileira. Ao olhar para o passado Bruna agradece o empenho da mãe Elza por obrigá-la a estudar mesmo contra a sua vontade, pois hoje, reconhece que a educação foi o melhor caminho que poderia ter seguido. “Valeu à pena ter feito o ensino médio, especialmente a faculdade”, aponta. “Trabalhando em fábricas a gente sabe como é difícil a vida de um estrangeiro. Não entendemos a língua e por isso, somos subordinados. Não queria isso para o futuro da minha filha por isso briguei pela educação dela. Mas o esforço maior foi dela, se não quisesse poderia ter escolhido outra opção”, finaliza Elza. |
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