| Tokyo, 25 Maio 2012 | |
| Candidata ao CRBE diz que brasileiros precisam poupar | |
| CONSELHO DE REPRESENTANTES | |
| Japão - Nagano - / | |
Maria de Lourdes Uema Yokoya, de Nagano (Nagano), lançou-se candidata a um posto no CRBE (Conselho de Brasileiros Residentes no Exterior). Para ela, é essencial que a comunidade esteja precavida para não sofrer problemas semelhantes aos causados pela recessão global dos últimos anos. Por exemplo, ter um dinheiro reservado para, pelo menos, poder retornar ao Brasil. A brasileira vive no Japão desde 1992, é casada com japonês e mãe de dois filhos. Dá aulas de português na Universidade Nagano Tanki e auxilia crianças brasileiras em escolas japonesas. Também já atuou como tradutora na área médica e, atualmente, faz graduação em Pedagogia. Se for decidido que a função do conselheiro é ouvir a comunidade e elaborar propostas para ela, quais seriam as suas? MARIA DE LOURDES UEMA YOKOYA: Acredito que posso contribuir nas áreas em que tenho conhecimento: educação de crianças brasileiras em escolas públicas japonesas, problemas no trabalho, busca de emprego, tradução na área da saúde; ou seja, no tripé educação-trabalho-saúde. Os problemas só são solucionados após serem identificados. Também não se pode ficar na espera de que outros resolvam as coisas, esperando uma ação do governo. Na área de educação, você é a favor de matricular as crianças em escola brasileira ou japonesa? MARIA DE LOURDES: Como mãe brasileira de filhos com nacionalidade japonesa, não tenho opção, meus filhos vão para a escola japonesa. É a mesma onde o pai, o avô, os tios, os primos e os vizinhos estudaram. Poderia pensar na possibilidade da escola brasileira, mas onde moro ninguém teve ainda a coragem de instalar uma, nem eu. O próprio governo da província cogitou esta ideia, mas a quantidade de crianças brasileiras é baixa, inviabilizando o projeto. No meu blog Educar no Japão, anos atrás, recebi muitas consultas sobre este assunto. Decidir entre estas duas opções depende dos objetivos da família. É preciso questionar-se: “Onde seus filhos irão trabalhar no futuro?”. Nos módulos de sociologia e psicologia que estudei recentemente no curso de pedagogia à distância para formação de professores, da UFMT com a Tokai, ficou mais clara esta questão para mim. O que os brasileiros devem fazer para se adaptar melhor: ser brasileiro ou agir como os japoneses? MARIA DE LOURDES; Primeiro, ter vontade de se adaptar. Segundo, ter claros os motivos da vinda para o Japão ou saber em que condições ficar por aqui. Terceiro, para quem não tem amizade com os japoneses, aos poucos sugiro estabelecer contatos e ser franco, sem auto preconceito. Dei a minha opinião na propaganda eleitoral gratuita desta semana (veja na página ao lado), dê uma olhadinha e pense como você se relaciona com os japoneses ou como poderá fazer isso daqui para frente. Não depende dos japoneses, mas de cada um. Se uma pessoa não vai com a minha cara, não preciso ficar implorando por sua amizade. Agora, se alguém se aproximar de mim, quiser me conhecer, aprender sobre os assuntos que eu sei, vou curtir estes momentos, independentemente de nacionalidade, gênero, faixa etária, religião etc. Os brasileiros estão preocupados com a saúde? MARIA DE LOURDES: Sim, os brasileiros cuidam da saúde, justamente porque estão no Japão para trabalhar. Em maio e junho de 2008, a província de Nagano fez um levantamento junto à comunidade estrangeira, em grande parte, brasileiros (47%). Na questão sobre inscrição no seguro de saúde, 58% deles declararam estar inscritos. Quando eu tinha mais tempo livre, acompanhei muitos em consultas em hospitais, fazendo tradução. Em decorrência desse tipo de trabalho, participei de vários treinamentos de tradutores na área médica promovida pela Anpie (Associação da Província de Nagano para a Promoção do Intercâmbio Internacional). Quem quiser saber mais sobre a pesquisa pode acessar: www.pref.nagano.jp/kikaku/danjo/tabunka/kenkyukai/houkoku/houkoku2.pdf (em japonês). Qual sua opinião sobre a alíquota de 2% sobre as remessas dos brasileiros no exterior que está tramitan na Câmara? MARIA DE LOURDES: O projeto mostra uma resposta a uma necessidade. Com o desemprego, as pessoas passaram dificuldades financeiras, e isto foi muito triste, justamente porque não foi um acontecimento isolado, mas que afetou milhões em todo o mundo. O meu ponto de interrogação é: por que será que durante a vida profissional ativa, ganhando salário mensal, o trabalhador não reservou uma parcela para a sua poupança? No mínimo o valor correspondente a três meses de salário e dinheiro para a passagem da família precisa estar garantido, no caso de se pensar o retorno ao Brasil. Melhorias nas condições socio-econômicas não é sinônimo de consumo desenfreado ou investimento sem planejamento. E na hora do aperto, se espera que o governo faça alguma coisa. E a resposta é este projeto de lei. Mas não será tarde? Acredito que o pior da crise já está passando e, se é uma que acontece a cada cem anos, não há necessidade de se esperar pela próxima, mas sim de fazer o planejamento financeiro pessoal ou familiar o mais urgente possível. |
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