Marisol Sakaguchi soube das eleições para o CRBE (Conselho de Representantes de Brasileiros no Exterior) e resolveu ir a uma reunião da CCBN (Comissão da Comunidade Brasileira de Nagano) para avisar que seria candidata. A entidade apoio outro candidato. Paulista de São Bernardo do Campo, Marisol chegou ao Japão há 12 anos e, desde então, vivem em Ueda (Nagano), onde dá aulas de Matemática e faz curso de Pedagogia à distância pela Universidade Federal de Mato Grosso. Formada em Engenharia Mecânica, ela trabalhou por oito anos em fábricas antes de começar a dar aulas e conhece bem a realidade das linhas de produção.
Como você vê a situação atual da comunidade e o que propõe a ela? MARISOL: Vejo que muitos estamos isolados e proponho que estas eleições sejam um ponto de partida para que todos aqueles que estavam à margem, sem participação e interesse na comunidade brasileira no Japão em geral, se mobilizem, comentando, participando, procurando informações, inscrevendo-se como eleitor ou candidato, votando, conversando com os colegas e entrando em contato com outras pessoas para que tenhamos apoio mútuo. Uma rede de ajuda e amizade e um sentimento de pertencimento a uma comunidade, pois não estamos sozinhos aqui tão longe de casa. Agora, não dá para fazer propostas que seriam minhas mas que não poderia realizá-las, simplesmente por causa das limitações das atribuições do CRBE. Para dizer algo concreto, estou torcendo para que o acordo previdenciário entre Brasil e Japão seja assinado e proponho mais incentivos às escolas brasileiras, que estão com professores exercendo múltiplas funções e poucos alunos. Enquanto isso muitas crianças nas escolas públicas sofrem por estudar em um ambiente em que não sabem se comunicar e não aprendem a contento por não terem outra opção, pois os pais não podem arcar com a mensalidade da brasileira. Por último, que a Copa do Mundo seja vista e festejada, mas que sobre um espaço para a participação nas eleições do CRBE.
Criança brasileira no país precisa ter fluência nos dois idiomas? MARISOL: Penso que elas precisam aprender o português para se comunicar com os pais e a família em primeiro lugar. Após os sete anos, podem começar a aprender o japonês como língua estrangeira, sem abandonar os estudos da portuguesa.
Os brasileiros estão preparados para enfrentar o atual mercado de trabalho japonês?
MARISOL: Pela quantidade significativa de brasileiros que retornaram com essa crise, penso que a resposta é não. Quem adiou o aprendizado do japonês procurou recoloção nas agências de emprego e percebeu que, sem conversação básica, as chances eram quase nulas. A língua japonesa virou uma condição necessária, mas não suficiente para conseguir uma recolocação.
Se adaptar significa obedecer as regras locais ou tentar mudá-las? MARISOL: Significa, primeiro, aprender quais são as regras, que depois podem começar a ser mudadas, questionadas, debatidas, com sugestões para mudanças e gestos e atitudes demonstrando um novo e melhor modo de se fazer as coisas.
É importante estar cadastrado no seguro de saúde ou é um desperdício de dinheiro? MARISOL: É importante porque nunca se sabe quando será necessária uma internação hospitalar. Alguns hospitais poderão dificultar a vida de quem não tiver o seguro, demorando a atender, tempo este que pode ser valioso em uma emergência.
Qual sua opinião sobre alíquota de 2% que tramita na Câmara? MARISOL: Para os brasileiros no Japão, a maioria em situação regular e empregados legalmente, a necessidade da alíquota não é percebida, há o seguro-desemprego e até a passagem de volta foi paga pelo governo japonês. Para os que foram enganados com ofertas de emprego ou quiseram se arriscar e se acham em apuros no exterior, ilegais e sem apoio do governo local, com medo da prisão e deportação, essa alíquota, se realmente bem empregada, divulgada e acessível, pode ser a tábua de salvação. Deveria haver uma cartilha entregue aos brasileiros quando da emissão do passaporte esclarecendo sobre os perigos do trabalho no exterior. E também a leitura obrigatória de um resumo com os principais problemas em um papel A4 com uma declaração assinada de que a leitura foi efetuada, para alertar, divulgar e dificultar a atuação dos aliciadores e diminuir a necessidade do emprego de recursos para deportação. Isso seria investir no começo da jornada e não no fim. No Japão, esta alíquota poderia ser direcionada para bolsas de estudo, a fim de que as crianças necessitadas pudessem estudar em escolas brasileiras.
Por que votar em Marisol? MARISOL: Esta é uma decisão pessoal que cada um deve fazer. Se o que escrevo fizer sentido, se há identificação com as ideias, penso que este pode ser um motivo para esta escolha.
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