| Tokyo, 10 Fevereiro 2012 | ||
| Brasileira quer ajudar crianças carentes da Ásia | ||
| ESTILO DE VIDA | ||
| Tokai - Shizuoka - Hamamatsu - / Osny Arashiro/ipcdigital.com | ||
Em seus momentos de folga, Dielle Cristina Saga não tem feito outra coisa a não ser estudar o idioma hindu com ajuda de livros e, quando pode, vai a restaurantes indianos de Hamamatsu (Shizuoka) para praticar o que aprendeu com os garçons. Com passagem marcada para a Índia em setembro, Dielle pretende realizar seu sonho de conhecer esse místico país e ajudar na campanha Meninas da Índia, organizada por um casal de amigos brasileiros que fixou residência no país e cuida de crianças abandonadas. "Sempre gostei de ajudar o próximo e quando vi fotografias de crianças abandonadas da Índia, mexeu muito comigo. Depois soube que têm brasileiros lá ajudando essas crianças e que, devido à cultura, religião e tradição local, o próprio povo indiano não ajuda os outros. Isso me motivou a visitar o país para fazer algo", explica Dielle. "Não estou indo para ver o Taj Mahal", afirma. "A Índia possui uma das Sete Novas Maravilhas do Mundo, o templo símbolo do amor. Porém, esse amor foi de um homem para uma mulher, mas e o amor para com as crianças?", questiona. Dielle vai ficar hospedada na residência do casal de amigos, que mora em Nova Délhi, onde alugaram um casarão e adotaram crianças abandonadas. Apesar do nome do projeto, Meninas da Índia, eles também atendem meninos e contam com outra unidade na província de Haryana. Para Dielle, a situação dessas crianças indianas é pior do que a das brasileiras, pois no Brasil sempre acham um jeito para viver. "Na Índia, essas crianças sequer sabem seus nomes, idade e dormem nas ruas junto aos cachorros e tomam água contaminada do rio Ganges. Há leprosos e aidéticos entre eles. Às vezes, os próprios pais as abandonam, especialmente as do sexo feminino, porque necessitam de dotes caros para arranjar casamento. No país, ainda existem casamentos nos quais a noiva conhece o futuro marido apenas no altar", afirma. Por essa razão e devido ao fato de residir no Japão, Dielle quer ajudar as crianças asiáticas primeiramente. Ela não dispõe de recursos e sua única fonte de renda é o trabalho em uma indústria do ramo eletrônico, sem horas extras. Tempos de festa Residente em Kosai (Shizuoka) e ex-promoter, Dielle se dedicava a organizar eventos. "Conheci o lado alegre da juventude, mas sinto também que isso não era tudo na vida porque não se pode dizer que todas as baladas sejam um ambiente sadio. Me afastei e sou uma outra pessoa, mudei radicalmente e quero fazer pessoas felizes de uma outra forma. Quando for para a Índia, quero ver o sorriso dessas crianças". Após a Índia, o próximo plano de Dielle é visitar a Indonésia em dezembro, onde pretende fazer uma ceia de Natal no estilo brasileiro. Apesar de ser um país de maioria muçulmana, o casal de amigos que vive na Indonésia é cristão. Esse casal começou adotando três crianças e hoje ajuda 42, sendo 32 meninos. Muitos são órfãos que perderam a família no tsunami. No Timor Leste também reside um casal de brasileiros com o qual Dielle se comunica pela internet. Eles dão aulas e cuidam de crianças e adolescentes carentes, contando ainda com enfermeiras e professores. "Meu objetivo aqui no Japão é servir de canal para ajudar esses casais filantrópicos e, para isso, estou renunciando certas coisas da minha vida", diz.
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