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Tokyo, 25 Maio 2012
Presidente da Caixa divulga site com cursos à distância
VISITA
Japão - Shizuoka - / Osny Arashiro/ipcdigital.com
 

A presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), Maria Fernanda Ramos Coelho, esteve em Hamamatsu (Shizuoka) nos dias 2 e 3, para participar de um encontro com a comunidade brasileira e empresários japoneses e conferiu duas palestras no auditório do Okura Hotel. O evento faz parte das comemorações dos 60 anos da fundação do Iwata Shinkin Bank (Iwashin), instituição financeira com a qual a Caixa mantém parceria desde 2006, para efetuar remessas bancárias.

Na palestra do dia 2, voltada para a comunidade, Maria Fernanda lembrou que no próximo ano a Caixa vai comemorar 150 anos de fundação. Inaugurado por Dom Pedro 2º em 1861, a Caixa já demonstrava preocupações sociais, pois um dos serviços da época era administrar os recursos dos escravos para adquirir sua Carta de Alforria e a palestrante citou a frase do Barão do Rio Branco que chamava a Caixa de o “cofre seguro das classes menos favorecidas”.

Atualmente a Caixa segue a mesma filosofia e detém 34% da poupança nacional, principalmente de pequenos poupadores, contabilizando 50 milhões de clientes. Em 1986 o Banco Nacional de Habitação (BNH) foi incorporado pela Caixa. Hoje, é o agente financeiro do Programa Minha Casa Minha Vida, lançado no ano passado pelo Governo Lula, para combater o deficit habitacional de 7,2 milhões de unidades.

A palestrante explica que uma família cuja renda é de até três salários mínimos, recebe subsídio para adquirir a casa própria com a especificação padrão de até 42 metros quadrados, com sala, dois quartos, cozinha e banheiro. Para os de renda de até um salário mínimo (510 Reais), paga prestação de 50 reais por mês, os de renda de até dois salários, a prestação é de 100 Reais e os de três salários, paga 150 Reais por mês. Ao final de dez anos, a família se torna proprietária do imóvel. Famílias com renda superior, entre três a seis salários mínimos, o reajuste será de acordo com a renda. E no caso de desemprego, um fundo cobre as prestações e a dívida é prorrogada.

O programa foi lançado em abril do ano passado e resultou em 275 mil novas unidades, números significativos se comparados aos de todo mercado imobiliário, que construiu 327 mil no mesmo período. O Programa Minha Casa Minha Vida prevê a construção de dois milhões de novas moradias para os próximos quatro anos.

Novo portal Caixa Internacional

Na segunda parte da palestra, o representante da Caixa Econômica Federal no Japão, Luiz Carlos de Azevedo, falou sobre o novo portal de serviços que oferece diversos cursos gratuitos, incluindo alguns em parceria com o Sebrae.

O objetivo é oferecer orientações sobre oportunidades de capacitação para a vida pessoal e profissional do brasileiro no Japão ou para quando retornar ao Brasil. Alguns dos cursos são: matemática financeira, planejamento financeiro familiar, pequenos negócios e empreendedorismo, entre outros. Azevedo finalizou dizendo que “não queremos ser apenas mais um banco aqui no Japão, queremos cumprir a nossa missão de ajudar na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros”. Para acessar os cursos, clique aqui.

Seminário Econômico do Brasil

No dia 3 foi realizado o Iwashin: Seminário Econômico do Brasil, com os palestrantes Maria Fernanda Ramos Coelho, Osvaldo Kawakami, representante da Refinaria Nansei Sekiyu Petrobrás no Japão e Yasushi Ninomiya, da Japan External Trade Organization (JETRO).

A palestra de Maria Fernanda Ramos Coelho foi adaptada para o público japonês, cerca de 250 convidados presentes, em sua maioria empresários e empreededores. O objetivo foi mostrar a nova realidade do Brasil e as oportunidades de investimentos.

O palestrante Osvaldo Kawakami falou sobre as grandes descobertas de petróleo e da parceria com o Japão. O destaque foi para as reservas de petróleo na região do Pré-sal, as camadas localizadas abaixo das rochas de formação salina, em águas profundas a mais de 2.500 metros. Essa região vai do leito do estado do Espírito Santo ao Paraná. “Imaginem os senhores uma região que vai de Tokyo a Okayam toda forrada de petróleo”, disse o palestrante, para dar uma idéia das reservas do pré-sal. “Hoje a produção de óleo e gás natural da Petrobrás é de 2,5 milhões de barris/dia, suficiente para abastecer 60% do consumo diário do Japão”.

Comparando as reservas do pré-sal como o novo Oriente Médio do petróleo, Kawakami disse que o plano de crescimento da Petrobrás é produzir em 2013 em torno 3,7 milhões de barris/dia e em 2020 cerca de 5,7 milhões de barris/dia. “Não dependemos de mais nenhuma gota de petróleo para atingirmos a nossa meta de produção de 2020, pois com os campos descobertos nos últimos anos é o suficiente”. A Petrobras detém 22% das operações em águas profundas no mundo, bem à frente da Exom e Shell com 14%.

O palestrante Yasushi Ninomiya destacou o Pólo Industrial de Manaus (AM), os incentivos fiscais, as empresas japonesas lá estabelecidas: Kawasaki, Yamaha, Honda, Suzuki, Keihin, Nissin Panasonic, Sony, entre outras.

A desvantagem das instalações em Manaus é quanto ao transporte dos produtos, para tanto, é preciso desenvolver uma logística levando em conta cerca de 10 dias de viagem pelos 4 mil km até o sul do Brasil.

Ninomiya encerrou falando sobre o avanço das empresas sul-coreanas em Manaus, como a Hyundai e também mostrou uma foto de um jeep de fabricação indiana. “Nunca pensei em encontrar um jeep da India na Amazônia, por isso fotografei”, disse o palestrante. “O Japão precisa se alertar não somente com os concorrentes europeus ou americanos, mas sobretudo com seus vizinhos asiáticos”, e aconselhou: “o Brasil mudou, então o Japão também precisa mudar”.

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