| Tokyo, 25 Maio 2012 | |
| Grupo luta por direitos iguais para todas as nacionalidades | |
| IJUUREN | |
| Japão - Tokyo - / Helena Saito/ipcdigital.com | |
Sachi Takaya, 30, é vice-secretária-geral da Ijuuren (Ijuu Roodoosha to Renkei Suru Zenkoku Network, ou Rede de Solidariedade para os Migrantes no Japão). A entidade é formada por 90 ONGs (organizações não-governamentais) de apoio a estrangeiros e outras pessoas que enfrentam dificuldades e tem como função ser um espaço de troca de informações e consultas entre os membros. Também age quando há problemas que requerem esforço conjunto para ser solucionados. No no passado, frente à crise econômica que levou muitos estrangeiros a perder o emprego, a Ijuuren entrou em ação pressionando o governo por medidas de apoio. Ser a voz institucional das várias entidades que se deparam com as dificuldades enfrentadas pelos que migraram ao Japão após a mudança na lei de imigração em 1990 – isto é, nikkeis sul-americanos e filipinos – é uma das funções do grupo. Isso significa que eles não prestam auxílio direto individual aos estrangeiros, mas preocupam-se com as políticas em relação a eles. Sem ligação com partidos políticos e mantida com a anuidade paga pelos membros e a venda de publicações esporádicas, a Ijuuren foi fundada em 1997 como fruto da reunião anual realizada desde 1991 entre entidades de várias partes do Japão. É uma das poucas a referir-se aos estrangeiros pelo termo ijuusha, que, em japonês, significa algo próximo a “migrante”. Ou seja, alguém que se mudou de um local para outro sem necessariamente ter intenção de ficar para sempre. “Mas não somos contra a palavra imin (imigrante)”, diz Sachi. Quem são os migrantes que a Ijuuren defende? SACHI TAKAYA: A determinação exata do público-alvo depende da área de atuação de cada membro. De forma genérica, a Ijuuren dá suporte aos estrangeiros que entraram após a revisão da lei de imigração em 1990, chamados de Newcommers. Como tem atuado perante a situação de desemprego entre muitos trabalhadores estrangeiros? TAKAYA: Há um ano e meio, apresentamos um documento pedindo aos ministérios uma medida de emergência aos que perderam emprego. Advertimos o PD (Partido Democrata ou Minshutoo) sobre essa situação e trocamos informações com o comitê criado para elaborar medidas de auxílio aos estrangeiros em janeiro de 2009. Por isso, a Ijuuren não tem feito nenhuma ajuda material diretamente aos migrantes, mas, sim, pressionado o governo a tomar atitudes para buscar uma solução. Qual a opinião da entidade sobre o zairyuu card (novo cartão de registro de estrangeiros)? TAKAYA: Como esse regulamento foi aprovado em julho do ano passado e só entrará em vigor dentro de três anos, a Ijuuren não tem feito nada em especial por enquanto. O ponto crítico levantado foi a obrigação de informar o novo local de residência em duas semanas no máximo. Se esse prazo se estender por mais de três meses, há o risco de perder o direito de permanência no país. Isso afetaria os brasileiros, que costumam mudar com frequência o endereço. Mas, por outro lado, vemos algumas vantagens, como o aumento da validade do visto temporário (teijuusha), que deve passar para cinco anos. Em caso de haver risco de expulsão pela falta de atualização no zairyuu card, o que a Ijuuren pretende fazer? TAKAYA: Até a aprovação da lei, fizemos várias manifestações, como protestos em frente ao parlamento e debates. Lamentavelmente, a lei foi aprovada. A partir do momento que o regulamento entrar em vigor, se houver estrangeiros lesados por não comunicar a mudança de endereço, iremos pressionar o governo local para não retirar o visto imediatamente, mas antes verificar o motivo que levou à negligência. Qual foi a maior conquista da Ijuuren? TAKAYA: É difícil dizer, mas acredito que foi um avanço a apresentação ao governo de uma proposta voltada a uma sociedade multicultural e multiétnica em 2002. O conteúdo foi publicado também em forma de livro em 2006, com o título Taminzoku Tabunka Kyoosei Shakai no Korekara – NGO kara no Seisaku Teigen (A Sociedade Multicultural e Multiétnica de Agora em Diante – a Proposta Política das ONGs). Uma grande conquista foi a introdução do trecho “garantir a segurança independentemente de nacionalidade” em uma lei que protege as vítimas de violência doméstica. A presença de trabalhadores estrangeiros continua importante para o Japão? De que maneira eles podem contribuir para a economia do país a partir de agora? TAKAYA: Esse é um problema complexo. Os estrangeiros foram considerados mãos-de-obra pelos empregadores. Mas a verdade é que, pelo fato de trabalhar aqui, eles contribuem com a economia do Japão, independentemente da nacionalidade. Por isso, é preciso que o governo japonês crie um sistema que garanta os direitos a eles como seres humanos. Para permanecer no Japão, a aprendizagem da língua japonesa é fundamental, por isso é preciso que o governo dê o suporte necessário, fornecendo locais e oportunidades para estudar. Também é preciso que os estrangeiros se integrem mais à sociedade japonesa, mesmo em local de trabalho, sem essa divisão de funcionários efetivos e os que são contratados temporariamente; é necessário criar um tema comum de discussão e buscar a compreensão mútua de japoneses e estrangeiros por meio de encontros e reuniões. A Ijuuren é uma das poucas a se referir aos trabalhadores estrangeiros como ijuusha (migrante). Qual o motivo? TAKAYA: Nós preferimos a terminologia ijuusha (migrante), em detrimento de imin (imigrantes), que originalmente se referia apenas a movimentos migratórios organizados, como houve antigamente no Japão. Com isso, a nossa intenção é divulgar esse conceito, mas não somos contra a palavra imin. O que não queremos apenas é que continue essa separação que contrapõe nihonjin e gaikokujin, que não reconhece os migrantes como parte da sociedade do país em que estão vivendo e trabalhando. |
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