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Tokyo, 25 Maio 2012
Trabalho puxado separa casais brasileiros no Japão
SEPARAÇÃO
Kanto - Gunma - Oizumi - / Thassia Ohphata/ipcdigital.com
 

O capítulo mais difícil de uma história de amor é sempre a separação, e, infelizmente, é muito comum. É difícil saber o número exato de divórcios na comunidade brasileira no Japão, mas a vice-cônsul do Brasil em Tokyo, Sanae Teramoto, afirma que esse número é grande. Ela explica que o divórcio não faz parte dos serviços consulares, mas pela quantidade de consultas e pedidos de procuração dá para saber que muitos brasileiros se divorciam no Japão. O Setor de registo civil do Consulado em Tokyo recebe e-mails de pessoas que querem se divorciar, todos os dias.

"O fato de viver no Japão interfere sim, no casamento. Enquanto no Brasil existe uma estrutura para o casal poder programar os momentos de lazer e em família, aqui eles ficam muito limitados ao trabalho e à casa", opina a irmã Yoshico Mori, que também recebe todos os dias ligações de casais em busca de ajuda e aconselhamento sobre o relacionamento com o cônjuge.

Falta atenção

A presidente da NPO Serviço de Assistência aos Brasileiros no Japão (Sabja) revela que uma das principais queixas recebidas dos casais é falta de atenção, sobretudo quando um deles trabalha durante o dia e o outro à noite. "Isso desgasta o relacionamento e é preciso muito diálogo. A vida não é só trabalho e as pessoas não podem ser tão levianas e apostar só no dinheiro", analisa.

Esse foi o principal motivo que levou M.B., de Oizumi (Gunma), a se separar após um casamento de 18 anos. "A gente só pensava no serviço e não tinha um momento para nós e a família. O casamento virou uma rotina e decidi que o melhor seria a separação", diz.

Há 11 anos no Japão, ela acredita que se estivesse no Brasil seria mais fácil manter o casamento. "O dia-a-dia do Japão fez com que o relacionamento acabasse". O filho caçula do casal, na época com oito anos, sentiu muito a decisão dos pais. "Quando são pequenos, os filhos sofrem mais. Até hoje, ele não entende o porquê da separação", conta.

A independência financeira é outro motivo que leva muitos casais a se separarem no Japão. "Coisas que as mulheres agüentavam no Brasil, elas passam a não admitir mais no Japão", explica a irmã Mori. Foi o caso de Clarice F., também de Oizumi, que se separou há dois anos. "No Brasil, acho que seria diferente. Lá eu seria mais dependente do marido", diz a brasileira, que foi casada durante 20 anos.

Após cinco anos juntos no Japão, eles resolveram voltar ao Brasil. Clarice retornou sozinha ao arquipélago e antes de pedir definitivamente a separação, ainda viveu sete anos casada, mas longe do então marido. "Vi que não havia mais nenhum sentimento e que eu era independente", conta.

Leia a íntegra da matéria na edição nº 791 do jornal International Press

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